terça-feira, outubro 20, 2015

OS SAPOS - Manuel Bandeira

Os Sapos

Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
— “Meu pai foi à guerra!”
— “Não foi!” — “Foi!” — “Não foi!”.

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: — “Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.

O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.

Vai por cinquenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.

Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas…”

Manuel Bandeira – Poeta Brasileiro - 1886/1968

Com os escritores João Cabral de Melo Neto, Paulo Freire, Gilberto Freyre, Clarice Lispector e Joaquim Nabuco, entre outros, Manuel Bandeira representa o melhor da moderna produção literária brasileira.

12 comentários:

Salete disse...

Sim,
há muita arte poética,
mas em tempos de internet,
acho que o Bandeira tremeria
e Bilac, então, morreria.
Vê,
até eu que não sou poeta,
faço poesia.
rima pobre
rima rica

Foi irresistível.:)

Beijinho.

Suzete Brainer disse...

Poeta amigo,

Manuel Bandeira é genial, um mestre no universo
poético e literário (na arte da pontuação),
criador com a sua originalidade linguística...

Escolheste um poema grandioso, uma crítica dele
em relação à crítica da época...

Devolvendo o presente com outro dele:

Neologismo

Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo:
Teadoro, Teodora.

Manuel Bandeira (Livro: Estrela da Vida Inteira- Poesias reunidas)

beijo.

Suzete Brainer disse...

Poeta amigo,

Tem uma surpresa para ti na minha nova postagem...

O Puma disse...

Ainda hoje vomito
o único sapo que engoli

"a bem da nação"

MARILENE disse...

Um dos grandes, que você colocou em excelentes companhias. Abraço.

Agostinho disse...

Com acerto e mesmo à hora do foguete, trouxe o Poeta uma poesia de mestre do mestre Manuel Bandeira.
Que acrescentar da Saparia deste Sapal? Nada!

Teresa Durães disse...

lindo!

lino disse...

Grande poeta!
Abraço

Helena disse...

Um grande Poeta a falar de grandes Poetas...
Um terno beijo da
Helena

Graça Pires disse...

Grande Manuel Bandeira!
Apesar da "saparia" a arte poética vai continuar. A Poesia nunca morre.
Um beijo, meu amigo.

Maria Eu disse...

O mesmo se passa comigo.

AC disse...

Com Manuel bandeira não se engolem sapos.

Abraço