quinta-feira, fevereiro 25, 2016

ABSURDO ABISMO! ...


Depois da implosão das palavras: absurdo abismo!
Eco evanescente ou deserto que se extingue
Porém vivo. Estertor de água e fogo.
Miragem de cinza atordoada
Registo ainda.

Euforia e mágoas. E abandono. Qual cabana
Destroçada. E o fogo aceso. Ou veredas percorridas
A que se perdeu tino.

São as palavras pedras vivas: ainda que mortas!
Que sob o frio da pedra as palavras se agitam
Flor que se nega e fenece – flor ainda.
Flor em rebeldia...

Carrascos das palavras nelas nos jogamos.
E nos salvamos. E por elas, tantas vezes
Nos perdermos...

Guardo de todas as palavras, as palavras-outras.
Aquelas que lacradas são sacrário. E velas a arder
Em coração devoto.

Ou lume branco. A derramar-se
Como incêndio.

Manuel Veiga



12 comentários:

Mar Arável disse...

Meu caro Manuel

sopro-te e voo
mais que os pássaros
numa folha de papel
palavras enclavinhadas
nos meus pobres olhos

Abraço fraterno

Olívia disse...


De todas as palavras-estas um "lamento" muito vivo se acende!...

Bj.

Jaime Portela disse...

Tal como os peixes, é pela boca (quando falamos) que nos "jogamos e salvamos". Outras vezes, não aquecem nem arrefecem, mas são as palavras que fazem mudanças, em nós e nos outros.
Excelente poema, como não podia deixar de ser.
Bom fim de semana, amigo Veiga.
Um abraço.

Majo disse...

~~~
Foi uma bonita implosão, como a de uma estrela...

Do absurdo abismo, não resultou qualquer vestígio de cinza,

mas sim, este belo e empolgante poema que nos fala de palavras vivas

e de palavras sagradas...

A paleta do Poeta conserva sempre cores, aromas e brilhos muito especiais.

~~~ Beijo amigo. ~~~

Maria Luisa Adães disse...

E a beleza predomina
no mistério das palavras...

E eu gostei!


Maria luísa Adães

Suzete Brainer disse...

Mais um belo Poema, com a tua marca, a força
das palavras que transcendem o abismo comum dos significados.
A tua Poesia tem um ar puro do novo, um caminho teu,
íntimo com as tuas belas construções imagéticas incendiadas
de beleza e numa amplitude da significância rara das palavras!...
Eu fico a pensar, como pode ser tão Poesia a se derramar
aos nossos olhos de leitores.
Adoro sempre!!
beijo.

Laura Santos disse...

Somos carrascos das palavras e seus escravos. E tanto
nos podem condenar, absolver e salvar. Do abismo que todos
temos à frente.
Você é um belo incendiário de palavras! Os grandes poetas
são assim. :-)
xx

O Puma disse...

Venham mais cinco

Abraço

lis disse...

Ah as palavras! com elas temos percepções,todas elas_sentimentos, emoções, sensações.
E há para todos os gostos_ as doces as amargas as inesquecíveis as detestáveis.As quentes as frias as coloridas as desbotadas.
Nomeamos o mundo inteiro.
E gosto quando diz "nela nos jogamos. e nos salvamos" para o bem e para o mal.
E , ei-nos aqui a usá-las _de tão longe.Quão belo é seu poema!
abraços heretico
Parabéns.

ॐ Shirley ॐ disse...

Palavras mal ditas, podem nos atirar num absurdo abismo...
Beijos, Manuel!

AC disse...

Ah, as palavras, esse catalisador de mil e uma emoções...!
Mais um grande poema.

Abraço

Carmem Grinheiro disse...

Boa tarde, Heretico.
Mesmo na mudez as palavras imperam como "pedras vivas" a escreverem a História do Homem.

abço amg