terça-feira, fevereiro 23, 2016

PERCORRO OS SINAIS...


Percorro os sinais letra a letra e recolho
O reverso do poema em danação das horas
Qual Fausto a arder
E as esferas imperturbáveis
E frias me acolhessem.
Órfão em meu pacto.
E meu palco.

E as portas, sem saída, nem entrada, esbarram-se
Em patético delírio de luz fria
Em mim trancada...

Percorro os sinais como corsário sem barco
Que de ilha em ilha se reveste de bruma
E dardeja raios e gritos
Porém perdidos.

Oceânicos abismos e espectros a dançar
Como se poeta fosse náufrago.
Ou do Destino,
Gargalhada.  


9 comentários:

Laura Santos disse...

Poema enérgico, "qual "Fausto a arder", cujo pacto parece não deixar mais do que gritos sem eco. Mas todo o poeta é de certa forma um náufrago que luta por manter-se à tona. Enquanto o destino se ri do esforço.
Muito bom!
xx

Mar Arável disse...

Faz o que tens a fazer
percorre os sinais
no fundo das palavras lá estão as ânforas à tua espera
porque meu irmão
poetas somos todos
sendo certo que só alguns ousam escrever

Aqui estarei como sabes
nos teus belos apeadeiros

Abraço sempre

Fê blue bird disse...

O importante é nunca desistir de os procurar !

Um belo momento de poesia.
Um beijinho

MARILENE disse...

Os sinais... por vezes ocultados e provocando grande trabalho para quem os procura. Mas você, poeta, não naufraga, ainda que as águas não sejam auspiciosas. Abraço.

Lídia Borges disse...


Entendo bem essa "gargalhada" do Destino e sei como lhe fácil, a si, contorná-la pela destreza do verbo e da inteligência.

Admirável!


Lídia

Suzete Brainer disse...

Um Poema mar, em que o Poeta se diz não reconhecer
os sinais, se afogando num olhar cego da trilha
que o levará ao seu contato mais íntimo.
Diante desta cegueira, se diz náufrago.
Porém o mar das palavras na dimensão infinita dos
significados da Poesia lhe pertence, no barco
a navegar na beleza Poética de sempre!...
Sempre um olhar encantado (meu) ao infinito da
tua excelência Poética!!

Marta Vinhais disse...

A eterna procura... Do destino, do poema, de tudo que faz com a vida vibre...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Ana Tapadas disse...

A busca circular...Poeta!
Belo poema.

(Sinto-me a menina dos olhos tristes).

Beijinho

© Piedade Araújo Sol disse...

a eterna procura (do Poeta e não só)
mas há sempre portas a abrir, sempre mesmo que enferrujadas pelo tempo
um belo momento de poesia, como já nos habituou.
beijo
:)