terça-feira, abril 05, 2016

NA FRAGRÂNCIA DA PALAVRA...


Na fragrância da palavra uma dor
Antecipada. A finíssima dor da ausência
Círio a arder e a pele tensa...

Perversos são os deuses em seu desenfado
A instigarem a dúvida no coração de humanas criaturas
Letal veneno a corroer, gota a gota,
O mosto solar dos dias...

Peregrinos são os passos que se anunciam
Dança de Parcas e seu nocturno grito
Sobre densa floresta de enganos...

E o deslaçar as mãos em cabana desfeita.
Memorial funesto onde o poeta se imola
A bordar nos lábios o frémito
E a consagração do nome...

E a insígnia no rosto a arder por dentro...

Manuel Veiga





9 comentários:

José Carlos Sant Anna disse...

Que belo poema, meu caro.
As imagens traduzem tão bem o drama que alimenta a matéria deste poema, ah, e a música deliciosa de Bécaud.
Abr.,

Fê blue bird disse...

Quando as palavras têm a flagrância da rosa e a dor dos espinhos.

Um música intemporal e perfeita!

Um beijinho

Graça Sampaio disse...

Sempre a palavra certa no pensamento, na imagem que se quer límpida. Muito bom. Vê-se, à transparência, o sentimento greco-latino do poeta...

Beijinho.

luisa disse...

O destino do poeta está marcado mas se acreditarmos nas palavras do cantor, tudo está a salvo. :)

Suzete Brainer disse...

A beleza do teu Poema começa já com o título,
na bela imagética "na fragrância da palavra"...

O Poema a desenhar na fragrância da palavra o curso
do sentir, no qual, o Poeta confessa a sua implosão
diante da ausência nominada:
"A bordar nos lábios o frémito
E a consagração do nome..."
E finaliza com a beleza declarada da lembrança
que nele fica, vestida da sua dignidade sensibilizada:
"E a insígnia no rosto a
Arder por dentro..."

O vídeo (a música) é um perfeito complemento
no total harmonioso com a arte do sentir
poético expressado!...

Poeta querido, sempre é encantador a tua arte
Poética, sempre aprofunda o nosso olhar nos
teus espaços criativos de sentires.
Grata pela leitura (sempre)!!

Agostinho disse...

A arte do Poeta é talhar as palavras numa estética helenica, perfeita, de tal forma que, contrariando o bê-a- ba dos deuses, delas emana a fragância da flor desejada na dor da ausência.
Abraço.

Majo disse...

~~~
Subscrevo o comentário da Luísa.
~~~ Beijo amigo. ~~~~~~~~

jrd disse...

Na fragrância da palavra a flor da dor...

Um abraço fraterno Poeta

© Piedade Araújo Sol disse...

e anda o poeta a desbravar palavras nas fragrâncias que só ele sabe...

muito belo!

:)