sexta-feira, maio 06, 2016

RUBRAS FLORES NO CAMINHO...


Nos caminhos que nos habitam. Inesperados.
Irrompem por vezes rubras flores. Em cada passo.
E fincam raízes por entre pedras. As flores.
E se dobram soberbas
E se amaciam...

E dóceis se acolhem nas margens.
E na penumbra.
E colhem os ventos.
E explodem solstícios.
E no horizonte se derramam
Como galeras de um sonho.
E fervem no olhar
Como eternas ilhas.

E flor-bacantes
Se vestem de perfumes
E se incensam. E excessivas se incendeiam.
E gritam seus clamores.

E no altar em que se imolam são ainda
A inocência pura. E imaculada espera.
Gota de água em que soberanas
Se fecundam...

Breves que sejam. Flores carnívoras.
Ou perene que seja o deslumbramento
Que anunciam.


Manuel Veiga


12 comentários:

maceta disse...

As flores são sempre belas, embora a sua vida seja breve.Vale-hes o optimismo de renascerem até nos vasos...

abraço

Marta Vinhais disse...

Mas voltam a florir... E deslumbram nesses instantes breves em que se abrem ao Sol....
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Carmem Grinheiro disse...

Olá, Herético.
Belas flores enraizadas nas pedras. Haja resistência!

abç amg

AC disse...

Rubras flores que se realizam no abrir de caminhos para os demais...
Muito bom, meu amigo!

Abraço

Mar Arável disse...

Tantas são as flores

nesta desordem de cores
nos jardins
Abraço amigo

Suzete Brainer disse...

A excelência das palavras de um poeta que colhe flores
rubras no caminho, estas flores transfiguradas em ilhas
que se eternizam no olhar na continuidade dos sonhos,
na utopia, sendo assim, breves com a fragilidade da
natureza das flores que se anunciam
no seu próprio tempo!...

O caminho da tua poética é magistral, Manuel Veiga.
Bravo!

mixtu disse...

caminhos
de flores
de encontros

caminhos de poesia :)

Graça Pires disse...

Flores. Aquelas que encontramos nos caminhos. Aquelas que improvisamos e sublinham a cores a memória dos sonhos e da esperança. Aquelas que nos dão poemas assim...
Um beijo, meu Amigo.

© Piedade Araújo Sol disse...

Flores, que vão e vem, que renascem em todas as primaveras.
Um belíssima inspiração para um excelente poema.
beijo
:)

Agostinho disse...

Inocência pura enquanto dura
Amaciam as veredas dos dias.
E o poeta canta-lhes o encanto.

O muro é alto mas achei-lhe a porta.
Abraço

José Carlos Sant Anna disse...

Afloram sobre as tempestades do mundo, Vicejam pelos desfiladeiros nos trazendo perfume e os ventos da esperança, além de um belíssimo poema. São as mãos do poeta construindo a morada das palavras.
Abr.,

Majo disse...

~~~
Flores rubras silvestres...
Pujantes, delicadas, efémeras,
porém, sempre belas e chamativas,
cumprindo seu grande e breve destino.

Muito belo, amigo.

Beijo, Poeta.
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