segunda-feira, julho 25, 2016

AS ESTRELAS NÃO AMAM...


As estrelas não amam. Brilham.
E no seu brilho se cumprem. Como cinza quente
De vulcão extinto...

Delas guardamos por vezes a órbita
Enquanto esfriam. Outras são balões soltos.
E lonjura que os olhos não abarcam mais.

(Crianças doridas pelo cais)

Vertigem que as alturas incendeiam
De ti, poema meu. Em cada trago
Colapso de estrelas
Em que (te) ardo.

Manuel Veiga



 

11 comentários:

Graça Pires disse...

Só um poeta para saber assim das estrelas e nelas arder para incendiar a vida com palavras...
Um beijo, meu Amigo Poeta.

Majo Dutra disse...

Há estrelas e estrelas...
Enquanto emitem luz vivem, pelo que,
os poemas teus são eternos.
Bj~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

heretico disse...

Majo,

muito agradável ler teu generoso comentário, que agradeço
mas o teu olhar de amiga, não te deixa ser objectiva - nem o poeta (qualquer poeta) se ergue como estrela, nem a poesia (a minha) se quer eterna.

beijo

graça Alves disse...

Que lindo!
bj

Tais Luso disse...

Amigo Manuel,
Os poetas falam tão bem das estrelas, dos mistérios da lua, do mar, dos sonhos, das dores... falam das alegrias, das tristezas, e mostram indignações com elegância, dizem verdades ocultas... só os poetas!
A elegância está com vocês.

bjs, amigo.

Suzete Brainer disse...

Achei muito interessante o título do poema numa
metáfora que nega o sentir das estrelas, e
logo na primeira estrofe nos informa sobre a
dimensão maior das estrelas, que brilham e assim,
transmitem este amor.

Nas estrelas moram o infinito, onde os olhos
não alcançam.
Estas estrelas incendeiam o poema que arde
em inspiração do Poeta.

Um poema 5 estrelas ou talvez mais estrelas,
diante do brilho que ele nos promove
com a leitura, um poema luminoso, Manuel.

Apreciei muito, a tua poética para mim
é muito especial, devido esta tua intimidade
com as palavras na alquimia da beleza imagética!
Bj.

heretico disse...

Suzete, minha amiga

agradeço a leitura atenta, inteligente e generosa que, desde sempre, meus textos tem merecido. e que considero, como expressão genuína de interesse pela literatura e, em especial, pela poesia.

acrescento o seguinte:

como leitora atenta sabe, portanto, que o meu melhor poema está sempre "a acontecer" e sempre "para acontecer"...

assim, não quero parecer ingrato, mas a minha poesia não merece tantas estrelas - que aliás meus frágeis ombros não aguentariam.

e como há por aí tantos e tão grandes poetas (e tanta fome de estrelas) porque não fazer uma distribuição mais equitativa das estrelas que generosamente me atribui?

os seus comentários e sua presença neste espaço constituem um privilégio, que espero e desejo se prolongue por muito mais tempo.

beijo (cordial e amigo)

lis disse...

Oi heretico
Me fez lembrar o poeta Olavo Bilac:
"Ora (direis) ouvir estrelas!
Certo,perdeste o senso...'
E penso que houve tempo que pensei ouvi-las ... mas seu poema me lembra também que
'os olhos não abarcam mais'
A alma de um poeta é capaz de entende-las...
E sim 'as estrelas não amam
aí ele pede , solenemente:"Amai para entendê-las!
pois só quem ama
é capaz de ouvir e e de entender estrelas".
Viu só_ somos capazes de coisas inimagináveis ... rs
Obrigada pelo poeta que és!e pelo privilégio de segui-lo.

Suzete Brainer disse...

Caro Manuel Veiga Poeta,

Lamento pelo o incomodo provocado pelo meu comentário
classificado pelo senhor poeta, como um equívoco
diante do exagero de "estrelas" atribuída por mim,
pelo meu entusiamo diante da sua qualidade poética.

Através da leitura e unicamente leitura (sem nenhuma
atitude especialista), nunca pretendi ocupar espaço
de alguém a dissecar obra de autor nenhum, e, somente e
exclusivamente a minha leitura atenta e admiradora da arte.

Não precisa agradecer pelos meus comentários expressados
aqui, assim faço nos espaços dos amigos de partilhas
literárias, pois sou apreciadora da genuína partilha
da literatura, arte, música e cultura.

Abraço e adeus.
Suzete Brainer.

Carmem Grinheiro disse...

Olá, Herético.
Belíssimo poema que me "caiu" nos olhos ;)
Cada um faz a sua leitura/ interpretação do texto, poético ou não, e, tantas vezes diferente da que inspirou o autor. Virá da vivência pessoal, ou apenas do estado de espírito do momento...
Eu vi na estrela que não ama, mas que brilha, certas pessoas.
Oh, insensata!, que acreditas ver pessoas nas estrelas! - mas as há: aquelas que brilham e às voltas das quais orbitam aqueles que as amam incondicionalmente, seduzidos pelo seu brilho que incendeia corações e almas.

Um abraço amigo e desfrutemos dessa estrela maior que nos tem presenteado com dias maravilhosos.

Agostinho disse...

Poema brilhante com estrelas.
Por vezes, temos a tentação de nos colocarmos na sua órbita, à espera... A desilusão é mais que provável mas o pior é quando se sai chamuscado e se cai desamparado no negro buraco que têm no lugar da alma.
Abraço.