domingo, agosto 07, 2016

TRÊS POEMAS DE RICARDO REIS...


A FLOR QUE ÉS, NÃO A QUE DÁS...
 
“A flor que és, não a que dás, eu quero.
Porque me negas o que te não peço?
Tempo há para negares
Depois de teres dado.
 
Flor, sê-me flor! Se te colher avaro
A mão da infausta esfinge, tu perene
Sombra errarás absurda.
Buscando o que não deste.”
 
NÃO SEI SE É AMOR QUE TENS...
 
Não sei se é amor que tens ou amor que finges,
O que me dás. Dás-mo. Tanto me basta.
Já que o não sou por tempo,
Seja eu jovem por erro.

Pouco os Deuses nos dão, e o pouco é falso.
Porém, se o dão, falso que seja, a dádiva
É verdadeira. Aceito,
E a te crer me resigno.

NÃO SÓ QUEM NOS ODEIA...

“Não só quem nos odeia ou nos inveja
Nos limita e oprime; quem nos ama
Não menos nos limita.

Que os deuses me concedam quem, despido
De afectos, tenha a fria liberdade
Dos píncaros sem nada.

Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada
É livre; quem não tem, e não deseja,
Homem, é igual aos Deuses”

Ricardo Reis

“Poemas Escolhidos” – Portugália Editora
Colecção Instrumentos para a Melancolia 

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Uns dias ausente de vosso convívio!
 
Beijos e Abraços.

 

12 comentários:

luisa disse...

Três boas escolhas.
Se a ausência é de férias, boas férias. :)

Majo Dutra disse...

Fernando pessoa esmerou-se na composição dos poemas
que caracterizavam a personagem de Ricardo Reis.
É esse poder criativo que eu admiro, mas fico sempre
impressionada com este 'ser' de sangue frio, abúlico,
conformista e praticante do estoicismo!
No entanto, concordo com o «Carpe Diem»...
Também aprecio a Serenata de Shubert.
Um 'post' de muito bom gosto,
Dias muito felizes, amigo,
Bj ~~~~~~~~~~~~~~

Tais Luso disse...

Fernando Pessoa está à frente com outros poetas de que sempre gostei. Adoro sua poesia carregada de filosofia, repleta de interrogações, inquietudes, boa forma de viver, melancolia... O vago, o incerto e o indefinido marcam seus poemas. Foi tão fundo nesses seus propósitos que desdobrou-se em outros poetas (aqui Ricardo Reis) que inventou e encarnou. E nós, fomos os maiores beneficiados.
Quanto à Serenade, de Schubert, sempre maravilhosa, 'clássico é clássico'.
Belíssima postagem, Manuel.
Bjs.

O Puma disse...

Mãos nas mãos
e punhos erguidos

Abraço amigo

mixtu disse...

Reis é único...
excelente escolha

graça Alves disse...

Ricardo Reis sabe sempre bem!
Beijinhos e boas férias

Graça Pires disse...

Escolheste deixar aqui Ricardo Reis... Um bom descanso. Obrigada pelo Schubert, que adoro...
Um beijo.

José Carlos Sant Anna disse...

Um pouco da metafísica de Ricardo Reis ou da sua transcendência.
E a saída sem ruídos, ponto de fuga virtual para o qual converge essa metafísica...
Forte abraço, meu caro amigo,

lis disse...

"Pouco os deuses nos dão, e o pouco é falso/
Porém se o dão.falso que seja ,a dádiva /é verdadeira/"
Isso me faz lembrar outros versos:
_ "Quando a voz escondida no verso resolve cantar/
o verso embrulhado nas ondas aprende a dizer/
quando a estrela cadente faz chão na estrada,
O artista que vê,
pede a Deus a resposta e solidão vai embora..."
Fernando Pessoa será sempre necessário quer estejamos certos ou não da nossa flor.
Bonitas escolhas.
Bons dias ma ausência.Com abraços

Lune Fragmentos da noite com flores disse...

Uma escolha perfeita para esta fuga de verão. Ricardo Reis.

Não há heterónimo de Pessoa que eu prefira em detrimento de outro.

Todos amo, são parte de um único ser, sentires de uma transcêndia única, multifaceta. Imenso Pessoa. Meu poeta de cabeceira.

Feliz por voltar aqui. Aguardando que voltes depois desta pausa virtual.

Um beijo,

© Piedade Araújo Sol disse...

eu gosto!
boas escolhas.
boas férias.
beijo
:)

MJ FALCÃO disse...

Adoro Schubert e esta Serenade! Bom domingo!