domingo, setembro 18, 2016

COLAPSO DOS BARCOS na Dança das Marés...


 
Pressente-se o colapso dos barcos na dança das marés.
E todas as armadas e todas frotas como cisco
Dos dias poluídos.

E as águas límpidas e todos os oceanos como maré alta
E onda a arrebatar os céus.

E neste rasgo o azul como cor ígnea.
E o olhar a fronte altiva no espelho das horas.
E as casas habitadas quais cabanas
Clandestinas.

E todos os poderes mesquinhos abatidos.

E então todas as flâmulas. E todas as rotas.
E todos os caminhos. E todos os atalhos.
E todas as gazuas. E todos os segredos
Se acharam.

E todas as dores. E todas as mulheres paridas
E todas as mulheres perdidas.
E todos os partos.

E todas as brigas. E todas as facas.
E todas as marcas de meu corpo. Ardidas.
Foram...

E todas as esperas. E todas as demandas. E todo o anúncio.
E todos os prenúncios. São agora nome tatuado.
E fervor de Liberdade.

Manuel Veiga

 
 
 

8 comentários:

graça Alves disse...

Que maravilha!
Sim...é poesia! Gostei muito!
bjs

Rogerio G. V. Pereira disse...

"E todos os poderes mesquinhos abatidos.

E então todas as flâmulas. E todas as rotas.
E todos os caminhos. E todos os atalhos.
E todas as gazuas. E todos os segredos
Se acharam."

será assim, um dia

luisa disse...

Sempre haverá quem reponha os barcos a navegar, livremente.
:)

Emília Pinto disse...

A vida é como um mar cheia de marés e nas altas lá tentam os barcos segurarem-se nos picos das ondas; dentro seguimos nós, com o coração nas mãos a cada balançar da nau. Por mais que queiramos, nao podemos ser optimistas, pois o que se pressente é um " colapso " de todos os nossos sonhos de todas as nossas expectativas; tudo parece desmoronar nesta sociedade em que vivemos, sociedade em que se afundou a ética, o respeito pelos outros, a humanidade do ser dito humano. Da onda gigante foi arremessado o barco apinhado de corrupção, de injustiças, de cinismo e de uma tremenda falta de etica ; uma verdadeira " mansão flutuande " que resiste a qualquer tempestade por mais violenta que seja . Será dificil " o colapso desses barcos", ao contrário, as naus, os barquinhos a vela, os de remos, esses, bastará um onda mais raivosa e lá estarão desamparados no fundo do mar . É assim o mar, um mar para todos, um barco para todos, mas definitivante, um mar diferente para uns e um barco muito melhor e muito mais seguro para tantos outros. Amigo, obrigada pelo belo momento e até breve. Um abraço
Emilia

Suzete Brainer disse...

A liberdade merecedora de um poema, que a clama
com o anúncio das palavras de belíssimos significados.

Mais um poema que evidencia o seu estilo poético,
tão original de pronunciar as palavras na força
de uma expressividade rica na beleza da
altivez da sonoridade.
A bela sonoridade da poética do Manuel Veiga!

beijo.

Sandra Sofia Gonçalves Afonso disse...

Lindíssimo poema,adorei a tua publicação!!

Agostinho disse...

E a onda rebenta em bagas fartas nas frontes gordas do casino. Arrepiam-se, melhor, arrepelam-se. Será?
O poema quer que seja.
Abraço.

Odete Ferreira disse...

Um dia haverá um dia de utopia. Enquanto, o poeta vai escrevendo o manifesto...
Relevo, a estrutura formal do poema: a repetição do indefinido (todas, todos, tudo) e o corte dos versos com o ponto final, conferem intensidade e acompanham a veemência da vontade do sujeito poético.
Muito bom, Manuel. Parabéns, também, pela abrangência no poema consagrada, no que à simbologia semântica diz respeito.
Bjo :)