segunda-feira, outubro 03, 2016

EM LOUVOR DAS BARCAS...


Sobre tranquilas águas, suaves vão as barcas.
Nada as perturba. Serenas.

Não insídias, nem pedras atiradas, nem acenos.
Nem descaminhos. Nem glórias -
Sobranceiras águas!...

Nada perturba – as barcas!
Serenas vão. Sem outros passageiros – as barcas!
Que não sejam aqueles que elas queiram.
Sobre tranquilas águas.
E suaves deslizam. Cisnes brancos
Caprichando. Em serenas águas.

Por vezes recolhem-se. As barcas.
E das margens se contam pelos dias. Tranquilas barcas.
Sobre águas cristalinas.

E se humanizam – são rosto das gentes que passam!
E se despojam. As barcas. E se desenham
Apenas águas.

E se fecundam – sobranceiras barcas!...
E se reclamam tranquilas. E se dizem cativas
No deslizar das águas.
Cristalinas.

E um frémito percorre então as barcas
Voo de cisne em que a paisagem ferve
Sobre o sereno deslizar das águas.

E das cativas barcas. Consumindo-se
Tranquilas. Em febre
Sobre as águas.


Manuel Veiga

15 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Sobre as águas
Tranquilas
As barcas...

(vamos agitá-las?)

Tais Luso disse...

Que lindo poema e encantador vídeo! Não conhecia a cantora.

"E se humanizam – são rosto das gentes que passam!"
Poema lindo, que nos leva de embalo às águas, à paisagem, à natureza.
Às barcas que vão e voltam cumprindo seu papel, sem agressões, simplesmente deslizando como se fossem um suave poema. Fiquei sensibilizada ao lembrar das barquinhas que de vez em quando vejo aqui pelo nosso 'rio Guaíba', que circunda Porto Alegre.

Muito belo, meu amigo!
beijo.

luisa disse...

E o desejo de embarcar, seguindo por essas águas...

Graça Pires disse...

As barcas. Aproveitam a serenidade para navegarem, como quem acredita na magia de qualquer lonjura. É o momento em que se incendeia o marulhar das águas que começam a desaguar nos olhos do Poeta...
Tão belo, meu Amigo Manuel!
Ao tempo que não ouvia a Teresa Silva Carvalho a cantar esse belo poema de Almeida Garrett.
Um beijo meu.

Janita disse...

Em louvor das Barcas há que fazer justiça a tão belo poema: Louvando-o e ao seu criador! :)

Regresso, depois de ter passado e lido e ficado e partido; em silêncio...

Um abraço.

Armando Sena disse...

E nelas conquistaremos o eterno.
ab

Suzete Brainer disse...

Belíssimo poema em louvor da vida. Com a tua beleza poética a descrever
o caminho das barcas, o caminho das vidas, e, sutilmente uma mensagem
sábia de Ser altivo, sereno e consciente a focar o essencial do
belo e sublime da existência.
Também a alegria de viver:
"Em febre sobre as águas."

O vídeo e a música belíssimo e perfeito a acompanhar a
tua barca poética.

Parabéns, poeta amigo.
Beijo.

GL disse...

Água, a vida por excelência.
Que melhor elemento para transportar barcas, e sonhos, e...?

Pesadelos, mágoas, tragédias, morte.

Abraço.

São disse...

Que as barcas naveguem.Sempre.E em pacíficas águas.

Bom feriado e abraços

Graça Sampaio disse...

Belíssimo! De uma serenidade virginal...

Beijinho

© Piedade Araújo Sol disse...

as barcas, que naveguem sempre em águas calmas (nem sempre é possível) e que as tempestades passem ao largo...

tudo muito belo (aqui)

beijo

:)

Emília Pinto disse...

E as barcas vão sempre sobre as águas, sejam elas serenas, sejam elas ruidosas; " nada as perturba" , nada as detem. E os passageiros embarcam nelas, reclamam, consomem-se, humanizam-se...às vezes, deitando uma olhadela às margens, apreciando, observando outros caminhantes. Claro que a barca pára, encontra sempre o seu porto de abrigo, mas não por muito tempo; há sempre uma viagem para começar, com passageiros, os mesmos, mas diferentes, nas mesmas águas mas não iguais, com margens também de outros tons pintadas. E assim a barca vai e volta de viagem em viagem e nela vamos todos nós; a barca pode não ser a que desejaríamos, os passageiros também nem sempre agradam à barca, mas....tem que ser assim enquanto a vida nos oferecer as barcas, as águas...serenas...cristalinas...de um azul celeste bem clarinho; ou talvez não, amigo...podem ser simplesmente águas.
E as músicas? Lindas! Já muito conhecidadas, mas continuam belas, assim como as barcas, assim como as águas, se assim o quisermos.

Obrigada pelo belo momento. Um beijinho
Emilia

Odete Ferreira disse...

E por aqui fiquei serena e contemplativa, perpassando-me instantes da minha infância (também atravessei um rio invernoso num arremesso de barca), obras literárias (caso da Barca do Inferno de G.V.) e a simbologia que o termo acarreta; a par, deliciei-me com a musicalidade que a estrutura que escolheste conferiu ao poema, assemelhando-se ao balancear da própria barca.
Soube-me muito bem viajar por aqui e, se não te importas, serei uma passageira das tuas barcas... :)
Não é só belo, o poema; é um cântico, portanto faz todo o sentido a escolha musical.
A minha vénia, Manuel :)
(Voltarei para as anteriores postagens; leio, por vezes, no TM, mas há textos que só gosto de comentar pelo pc, pela visibilidade)

José Carlos Sant Anna disse...

Essas barcas deslizam à tona das águas, da vida. Flutuante. Flor sem raiz deslizando tranquilas... humanizadas. Já recupero um pouco do tempo perdido fora "dessas barcas". E já não me sinto ausente.
Abraços, meu caro amigo!

Ana Freire disse...

Adorei embarcar nestas águas tranquilas... em palavras e escolha musical...
Um publicação muito bonita e serena!
Abraço!
Ana