quarta-feira, dezembro 07, 2016

Poema em Contra-mão


Em cada instante um novo instante
Ponte suspensa de cada espera.
Aceno de braços de quem chama
E se confunde no eco e na margem
Em breve sorriso percorrida.

Em cada fala a mesma fala
Nos soletrados passos da demora
Que o regresso adiado se desforra
Como semente infectada de memória

Na contra-mão de cada passo
O mesmo passo. Quiçá o desembaraço.
Ou o engano que se guarda em brio
Como se colhe rebelde laço fugidio.

Manuel Veiga


11 comentários:

SILO LÍRICO - Poemas, Contos, Crônicas e Outras disse...

Às vezes, na contramão
Segue-se certo, o caminho
Seja por tino ou alinho
Com o meio, na ocasião.

Não há certo sem senão,
Senão o sabor do vinho
Seria ao nosso vizinho
Na mesma degustação,

Teria uma paridade.
Tudo é mentira e verdade
Dentro do mesmo universo.

O importante é a liberdade
Que termina quando invade
A liberdade de um verso.

Grande abraço. Laerte.

LuísM Castanheira disse...

em cada passo o enlaço...
e o cruzar de caminhos por um abraço.
gostei muito

Jaime Portela disse...

Mas não há contra-mão no poema, há mão de Poeta.
Excelente, como sempre.
Um abraço.

graça Alves disse...

Um belo poema ao som do Zé Mário.
Magnífico!
bjs

Teresa Almeida disse...

Sim, troquemos as voltas. Sente-se na sua expressão poética uma convulsão, uma busca que entendo permanente. Gosto.
Beijo.

Tais Luso disse...

Em cada fala a mesma fala
Nos soletrados passos da demora
Que o regresso adiado se desforra
Como semente infectada de memória

Como sempre, destaca-se o que mais toca!
Tudo belo, Manuel, parabéns.
beijo, amigo.

Suzete Brainer disse...

Amigo Manuel,

Este belo poema é um ensaio filosófico,
a vida tem seus próprios ritmos que
cruzam os vários caminhos na mão e
contra-mão do "destino" (?)...

Os passos no compasso do coração
sempre levam para a música da vida!

É um imenso prazer ler-te novamente.
Abraço de admiração, Poeta.

© Piedade Araújo Sol disse...

o Poeta gosta de andar em contra mão
mas em compasso de vocábulos e metáforas
gostei!
beijinho
:)

Agostinho disse...

Parece-me ter ouvido o Poeta
em contramão (exposto)
no instante na fala no passo
- faz o que eu digo porque faço
eu escapo ao laço


Abraço.

José Carlos Sant Anna disse...

E vamos desenlaçando os passos porque é longa a espera, e sem desforra é vida recuperada num "aceno de braços de quem chama/ e se confunde. E seguimos nessa espiral...
Quem sabe faz a hora, caro Manuel.
Forte abraço,

Odete Ferreira disse...

Para lá do conteúdo, neste poema, realço a rima interna que imprime movimento e acompanha a ideia sobre a qual trabalhaste.
Parabéns pela versatilidade da tua escrita.
Bjo