sexta-feira, fevereiro 24, 2017

Estreita Fronteira...


Palavras além da meta e águas-vivas
Que o poeta se joga nos limites
Do Nada.

Estreita fronteira
Entre a verdade sonhada
E a maçã colhida. E o perfume dela.

E nessa azáfama
De “bicho alado” se desbasta a sombra
E se colhe a cor em que o poema
Se enreda.

E se entardece.  


Manuel Veiga

12 comentários:

José Carlos Sant Anna disse...

A poesia pede passagem alheia aos zumbidos do carnaval.
Uma abração, meu caro poeta!

Aleatoriamente disse...

Toque suave, lindo
E a poesia leva-me a prados verdes.
Bela e linda poesia.

Bjinho

© Piedade Araújo Sol disse...

MV

E se enreda
E se entardece
e se enternece

e se faz poema

em cor e odor

Bom fim-de-semana.


:)


LuísM Castanheira disse...

podar da sombra a palavra
dar-lhe cor e sabor
e espalhar no poema o perfume
do fruto.
Um forte abraço, Manuel

Suzete Brainer disse...

Estreita fronteira entre as palavras e os gestos...
Estreita fronteira entre a poesia e a vida...
Estreita fronteira entre a realidade e os sonhos...
"O poema se enreda.
E se entardece."
As palavras se libertam em poesia e transcendem
as fronteiras de qualquer limitação, para a beleza
pousar sonhada em realidade!...

Manuel, desde o primeiro poema seu lido por mim (no seu blog),
sinceramente (sou sempre e não sei ser de outra forma) fiquei
admirando a sua poética e agora depois de um tempo acompanhando,
vejo um crescente na sua imensa expressividade poética.
E aprecio muito e cada vez mais!
Beijo.

Manuel Veiga disse...

Suzete,

Fico grato e sensibilizado pela leitura sempre atenta e generosa que faz sobre os meus textos. E agradeço especialmente esse olhar “panorâmico” sobre a evolução da expressividade dos meus poemas.

A amiga Suzete, a talentosa Poeta que todos admiramos, sempre se coloca na perspectiva de “valorizar” com a sua leitura os textos que comenta, com generosidade, mas também com sabedoria, inteligência e sensibilidade

De tal forma que os seus comentários sempre “acrescentam” e ajudam o leitor (e tantas vezes o poeta) na “decifração” do(s) poema(s), projectando-os para espaços semânticos, apenas induzidos ou mesmo ocultos.

Para mim é um privilégio a sua presença assídua neste espaço. E sou grato pelas suas opiniões, que constituem para mim um verdadeiro estímulo.

Beijo

luisa disse...

Um poema com cheiro a maçã e brilho de asas transparentes, como as de um libélula voando ao pôr do sol.

Teresa Almeida disse...

Enredam-nos as palavras "Entre a verdade sonhada
E a maçã colhida. E o perfume dela."
São vivas estas águas
e cativantes.

Maravilhoso poema, Manuel.
Beijo.

Tais Luso disse...

Olá, Manuel,
Poema é pura emoção. E tanta luz exala da alma humana, tantas são as nuances, que às vezes não cabem interferências ou interpretações além daquela de origem, e que está em voga, escrita pelo poeta. Gostei, e muito!

Quanto à ‘Valsa das Flores’ de Tchaikovsky... sempre bela, majestosa. Mas não a encontrei na coluna. Cheguei atrasada, rs.
Beijo, Manuel.

Odete Ferreira disse...

Muito sensitivo, este teu poema.
E nada estreito, o teu olhar.
Lembrei-me de Eugénio de Andrade. Acredita que é um elogio!
Bjo, Manuel :)

Agostinho disse...

"Nos limites do nada" ou no fio da navalha.
O poeta corre o risco do entardecer.
Mas nunca o fez tarde montado
na brisa da palavra.

Abraço.

Armando Sena disse...

Cantemos, que os sonhos são feitos de palavras musicadas.
ab