segunda-feira, março 20, 2017

Na Singela Vibração dos Mostos


No alvoroço das correntes e das alvoradas
No zénite dos passos quase, quase chegada
E na soleira da porta
Aberta
E nas pétalas
Espalhadas pelas ruas
Em tapetes de rosas
Perfumadas

E na música dos palcos da memória
E nas danças desfolhadas
Saias bordadas
E corpetes de linho
Desatados
Frutos que se oferecem
E colhem dos caminhos
Em gosto de muros
Derrubados

Nesta singela vibração dos mostos
A fermentar a celebração dos dias
Ergo o destino de meus passos
E poeta de cores bem definidas
Desenho em traço grosso
As linhas do rosto
E a paisagem
Em que me digo.

Manuel Veiga

  

11 comentários:

Graça Pires disse...

"E poeta de cores bem definidas
Desenho em traço grosso
As linhas do rosto
E a paisagem
Em que me digo."
E podes dizê-lo, bem alto, Poeta que admiro.
Uma boa semana.
Um beijo meu.

Tais Luso disse...

Também não tenho dúvida da beleza dos versos e grifo o mesmo trecho, que pelo visto você foi muito feliz...

"E poeta de cores bem definidas
Desenho em traço grosso
As linhas do rosto
E a paisagem
Em que me digo".

Beijo, Manuel.

São disse...

E desenhas muito bem, de verdade

Feliz semana e óptima Primavera

Teresa Almeida disse...

E dizes muito bem. Celebras a natureza e a vida.
Parabéns, Manuel

Marta Vinhais disse...

A vida desenrola-se com todas as suas cores....
Lindo...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

manuela barroso disse...

"Nesta singela vibração dos mostos
A fermentar a celebração dos dias"...
Que forma brilhante na celebração do Dia da Poesia!
Beijo!

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Considero este álbum "Por este rio acima" o melhor álbum de musica portuguesa e esta associação de vozes está fantástica.
Um abraço e boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
Livros-Autografados

luisa disse...

Há como que uma festa dos sentidos neste poema.

LuísM Castanheira disse...

É toda uma festa, esta! E que o 'vinho novo' celebre. E das gargantas saia as afinadas vozes. E bailem as minhotas. E a paisagem se desenrole ao olhar do poeta.
Um caloroso abraço, caro amigo Manuel.

Odete Ferreira disse...

É mesmo disto que se trata, de alvoroço.
Alvorota-se a alma das coisas e o poeta aprisiona-a para a soltar no alvoroço da palavra, tomando forma bem definida.
E o poeta enamora-se.
Belas as palavras e bela a casa que tão bem soubeste revestir.
Bjo, Manuel :)

© Piedade Araújo Sol disse...

um belo poema para um dia que se diz da Poesia

e nem sei porquê mas esta vibração dos mostos, cheira-me a Setembro.

beijo

:)