quarta-feira, março 01, 2017

Poema Apenas.


Amantíssima a noite e seus longos dedos
A urdir o espaço e o tempo na urgência dos corpos
Gramática de um canto novo
E da secreta língua
A arder no palato 
Das palavras...

Frémito a transbordar
Caudal e pétalas a inundar a boca
E a colher o gosto...
............................................
Já não poeta
Poema apenas…


Manuel Veiga

11 comentários:

Suzete Brainer disse...

Este teu belíssimo e inspiradíssimo poema
é pura emoção, a caminhar pela singular
gramática ("canto novo"...), no fogo
da criação e transfiguração das palavras;
em que o poeta se faz em poema a
transbordar sensações.
Admirável a estética poética na expressividade
elegante e excelente, meu amigo.
Apreciei imensamente, Manuel!
Beijo.

Agostinho disse...

O poeta anula-se na formulação da palavra. Dar o seu corpo ao poema é o seu desígnio.
Abraço.

São disse...

Um dos teus mais belos poemas!


Feliz Março

LuísM Castanheira disse...

Inebriante... onde a noite se faz de gostos, num rio de palavras e o poeta é poema.
Abraço, Manuel

GL disse...

Como é que se comenta poesia? Como é que comenta "sentires", sentimentos, sonhos e mágoas, vazios e plenitudes?
A mim, essa incapacidade.

Beijinho.

Jaime Portela disse...

Poema apenas? Não, poema e pêras...
Excelente, pois claro.
Continuação de uma óptima semana, caro Veiga.
Abraço.

Teresa Almeida disse...

Eu sei que vale a pena, deixar preto no branco, a poesia que os dedos tocam.
É, realmente, um excelente poema, Manuel.
Beijo.

© Piedade Araújo Sol disse...

apenas poema
corpos em combustão
labaredas em êxtase
ou apenas comunhão
diria o poeta
mas, é
poema apenas...

bom final de semana.

beijinho

:)

graça Alves disse...

Tão lindo!
Bj

Odete Ferreira disse...

Amante é o poema que se lê na pele...
Este veio carregado de palavras urgentes!
Belo!
Bjo, Manuel :)

José Carlos Sant Anna disse...

Caro Manuel,

Alongo meus passos para dizer que gosto deste rigor nas palavras, ainda que pareça estranho o uso da palavra rigor. Mas o domínio da linguagem que se (des)vela, é a própria revelação do alto grau de sensibilidade que permeia a sua criação poética. É a partir do vazio que nasce a plenitude dos seus versos, que a própria matéria poética do seu labor.
Este é outro poema superior, meu caro amigo!
Forte abraço,