quarta-feira, março 22, 2017

QUE O POEMA ARDA.


Quer o poeta luminosa epifania
Esquiva claridade a rasgar-se
Por dentro da sombra.

Prenúncio que seja. Ou apocalíptica
Razão absurda a desentranhar-se
Do nada. Flor desértica
Tatuada no dorso
Da miragem.

Ou suspiro de água a derramar-se
Nos balbuciantes lábios
Do silêncio.

Que o poema arda!

Manuel Veiga



8 comentários:

Teresa Almeida disse...


Os teus poemas são epifanias de grande claridade. Apelativos caminhos poéticos.

Beijinho, Manuel.

Graça Sampaio disse...

Muito bonito! A leveza da poesia: o nada que é tudo. Parece feito de tule...

Muito bonito.

Agostinho disse...

O poeta quer
E nascem as palavras
incandescentes
prontas a ouvir
Basta ler para entender
o querer.

Abraço, amigo.

C Valente disse...

Saudações amigas de quem á muito anda arredado

Odete Ferreira disse...

É com a ardência do poeta que atiças o lume em que os ingredientes do caldo poético se encontram (já) a marinar.
Acendes o fósforo e todos os sentidos explodem.
Bjo, amigo :)

Cristina Cebola disse...

Só o Poeta sabe, como as palavras lhe fervilham na alma!
Só ao Poeta é permitido expulsá-las dessa ardência, e transformá-las numa asa de anjo...a romper silêncios...
Muito belo pois!

Bom fim de semana...

© Piedade Araújo Sol disse...

por vezes

o poema é lume

e arde na inspiração do Poeta

belíssimo

:)

graça Alves disse...

Que arda, sim e que incendeie as mentes.
Bj