quinta-feira, agosto 03, 2017

SEI DE MEU CAMINHO


Alimento-me de gestos que meus olhos
Estão cansados do contrabando das palavras
E convenientes silêncios.

Em cada passo guio-me por prenúncios
E pelo voo das aves e seus presságios
E pelo canto das auroras no carmesim
Das nuvens.

Meu bordão é apenas o cajado a que
Me arrimo. Vara do tempo onde registo
O deve e o haver de cada encontro
Peregrino.

E as devoções que em mim visito.
E que ficam.

Nada temo!
Que nada tenho, nem nada devo.
E pouco valho.

Nem os homens, nem os bichos.

Respondo quando interpelado e distingo
O eco de meu nome. Ainda que soletrado
Num murmúrio. Ou descartado nas invejas
Ou pequenas vaidades do mundo.

Quando jogado com raiva – confesso!
Sinto gozo.

Sei ser grato, julgo. Mas para espelho
Não sirvo. Nem da festa sou o bombo.

Bem sei de meu caminho. E das pedras
Que ousam, colho estímulo
E passo.

Eu sei que passo!

Manuel Veiga

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