sexta-feira, dezembro 08, 2017

Colha Eu Pétalas e Rosas...


Sou assim hoje em festa vestido para vós
Na alegria de ler-vos, de quando, em vez,
Como se viessem todas juntas de viés
As palavras que partilham nossa voz.

Não cuido de jardins, mas amo as flores
Cada uma em seu perfume diverso.
Como letras batidas de um qualquer verso
Que, todas juntas, me perdem de amores.

E do poema construído em cada sílaba
Da amizade fugaz (sei lá se p´ra sempre)
Fique a harmonia e a emoção bem quente

E em cada gesto de beleza murmurada
Desse bouquet da amizade, em suma,
Colha eu pétalas e rosas, uma a uma...

Manuel Veiga


(De um tempo em que se escreviam sonetos)


24 comentários:

Pata Negra disse...

Ora, sempre se escreveram sonetos!
Mesmo que quebrem as regras da métrica,
Das rimas, quadras e tercetos.

Que satisfação ler-te, saber das tuas árvores,
Dos jardins das tuas letras, do teu sentir,
Quando vestes as palavras para a despir.

Agora é quadra: violando as leis,
Não sei se faço já a chave de ouro,
Se acabo pego já e pego o rabo ao touro,
Tenho de acabar, passa das seis.

O tédio desta tarde, o tempo baço,
A falta de apetite de escrever levo-a a peito
E vens-me tu lamentar-te escrito e escorreito.
Manel, tomas estas rimas como um abraço.


Gil António disse...

Boa tarde. Passando para me deliciar com as suas publicações. É maravilhoso o seu blogue. Gosto muito da sua poesia. Doce e maravilhosa.
.
Tema de hoje

Manhã, nascer do sol, solfeja a cigarra no arvoredo
.
Deixo cumprimentos poéticos.

Manuel Veiga disse...

de pernas pró ar, oh Majestade
fazendo o pino com a regra do soneto
rindo da rima e da dormente tarde
a sonetar com brilho não és tu peco

abraço, meu caro Pata Negra

Manuel Veiga disse...

Gil António,

a minha poesia doce? tem dias rss

abraço

Graça Sampaio disse...

Muito bonito! E sem sarças, nem pedras, nem silvas... Aquele verso ali em cima lembrou-me Caeiro - que amava as flores todas ...

Poeta é poeta e mais não digo.

(Aquele Pata Negra ali em cima também vai muito bem.... Bolas! Quem me dera!)

Beijinhos, Poetas!

Manuel Veiga disse...

Graça, minha amiga

o Rei dos Leitões é um herético empedernido.
põe-te a pau com ele! rs

e tem a COORTE perto de ti. nunca lhe sentiste o cheiro?

grato (também Caeiro)

beijo

lis disse...

Fico com inveja desses poetas com essa criação tão gostosa,seja em prosa verso rimas quadras ou tercetos.
Também digo eu, quem me dera!
Fico daqui a 'colher pétalas e rosas...' nesse jardim de letras.
um abraço aos dois jardineiros.

Manuel Veiga disse...

Lis, minha amiga

se não tens pétalas. nem rosas para dar
que fique tua vontade de nos dar rosas
e pétalas também...

(adulterando Álvaro de Campos)

beijo

Reflexos Espelhando Espalhando Amig disse...

Bom dia.
Lindo texto.
Aguardo sua visita
no Espelhando.
Bjins
CatiahoAlc.

Teresa Almeida disse...

"E do poema construído em cada sílaba
Da amizade fugaz (sei lá se p´ra sempre)
Fique a harmonia e a emoção bem quente"

Excelente soneto!

Que a amizade e a harmonia sejam vida e poesia.

Beijinho, Manuel.

Manuel Veiga disse...

Reflexos,

feliz por ter gostado


beijo

Manuel Veiga disse...

Teresa, minha amiga

a amizade e a harmonia por vezes são tão naturais, como "augas claras de nos tierra" (?)

beijo

LuísM Castanheira disse...

"São Rosas, Senhor
Estas que ao Meu regaço
Levo..."

Um olhar sobre os Jardins
Que não sabes cuidar
mas...
Sem "milagres" sabes espalhar.
Um forte abraço, MV

Manuel Veiga disse...

Luis Castanheira, meu amigo

não apenas rosas, meu caro
flores, muitas flores!

e pétalas!
por vezes, basta uma pétala para fazer toda a diferença!

abraço

Maria Silva disse...

Encontro no seu belo poema palavras que para mim soam como um fetiche: harmonia, amizade,emoção,, beleza,flores, rosas, jardins...Tudo pétalas com as quaisa sonoridade da língua foi moldando no acto da criação do poema.
Não é mais um soneto - é único e é seu.
maria

Manuel Veiga disse...

Maria Silva,

grato pelas suas amáveis e generosas palavras

beijo

Gil António disse...

Bom dia. Passando para desejar um domingo feliz
.
Tema de hoje
Margens de sedução de branca espuma
.
Deixando um abraço humilde e poético.

.

Manuel Veiga disse...

Gil António,

belos sonetos no teu espaço (e não só)

grato por dares a conhecer

abraço

Tais Luso disse...

"Não cuido de jardins, mas amo as flores
Cada uma em seu perfume diverso.
Como letras batidas de um qualquer verso
Que, todas juntas, me perdem de amores."

Também não cuido de jardins, mas gosto de ver as flores em seu ambiente! É vida, é alegria, nada tão delicado. Maravilhoso poema, Manuel!
Beijo, uma boa semana, amigo.

Manuel Veiga disse...

Tais, minha amiga

flores em seu ambiente, por "sábio" acaso da Natureza!
nada mais belo! tem toda a razão.

beijo

Andrea Liette disse...

Uma canção e um poeta que ninguém olvidaria ! Abraços.

Manuel Veiga disse...

Andrea Liette

e porque alguém olvidaria?
as boas canções são para recordar sempre.

bem vinda

abraço

José Carlos Sant Anna disse...

Vim colher pétalas e rosas também neste soneto em que nos cortejava com uma amizade de causar inveja. Embora tenha certezas de que não aceitarás a barganha, aceito soneto pela bengala (rss)!

Fraternal abraço, meu caro Manuel!

Manuel Veiga disse...

José Carlos, meu amigo

não há troca possível, desculpa!
este poema está fora do "comércio jurídico" rss

e tu ficarias a perder:
sonetos não faltam por aí - são como os chapéus!
e a bengala é um verdadeiro ícon da tua elegância!

caloroso abraço