domingo, dezembro 03, 2017

O Rubor e a Pétala

Colhe o poeta a pétala. E o rubor.
Alegria breve

A desprender-se. E desamparada flor
Que estremece. E se ergue
No frémito.

E se oferece. Nudez alva a derramar-se
Na manhã fria.

Lábios febris gretados a desenhar
O sobressalto. Sobre a pele.
E a sede que arde.

Rosa e nome. Indelével perfume
A inflamar o declive fremente. Seiva que teima
No interior do caule.

Que o poema requer. Flor silvestre
A percorrer o assombro
Dos dias. Por abrir.

Manuel Veiga


14 comentários:

Manuel Veiga disse...

Boa tarde.Belíssimo.:) Hoje:-{ Desnudos sonhos...} Bjos Feliz Domingo. em O Rubor e a Pétala

Larissa Santos

Manuel Veiga disse...


Lábios febris gretados a desenhar
O sobressalto. Sobre a pele.
E a sede que arde."
Por isso inventas a seiva e o rio e a fonte, com palavras que são pétalas...
Magnífico poema, meu Amigo!
Uma boa semana.
Um beijo.

Graça Pires

Emília Pinto disse...

Nunca sabemos como vai ser o novo dia, nunca sabemos sequer se o teremos. De certeza que ele se abrirá feito rosa que desabrocha no seu esplendor, pois assim manda a mãe natureza; acaba a noite e começa o dia, agora com " manhãs frias", com dores, preocupações ou muitas alegrias; assim são as rosas também... belas numa manhã e noutras já sem pétalas, mantendo-se no entanto firmes, erguidas com coragem; não podem desabar perante as intempéries, as rosas, as flores silvestres e muito menos nós. Assim requer a vida...assim também requer o poema que a cada dia cada um de nós faz, com maior ou menor habilidade. Há que tentar, amigo, pelo menos um simples verso!
Magnifico, poeta! Obrigada! Uma boa semana, apesar das manhãs frias. Beijinho
Emilia

Graça Sampaio disse...

Que poeta colheria a pétala? O rubor talvez, mas a pétala, uma pétala apenas não seria capaz... e deixar a flor desamparada... não seria capaz...

Beijinho, poeta!

Teresa Almeida disse...


Mais um sobressalto poético. Um indelével perfume silvestre.

Parabéns, poeta.
Beijo.

Olinda Melo disse...


Um mundo de significações, no qual nos perdemos.
A pétala. Breve. Mas o rubor dará azo a muito
mais, na esperança de muitos dias por abrir.

Um belo poema, meu amigo.

Abraço.

Olinda

Mariazita disse...

Um poema perfumado, leve, quase etéreo...
Muito bom.
O vídeo é excelente.

Votos de uma boa semana.
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

Vanessa disse...

Oiii!! Vim para conhecer o seu blog e gostei demais! Gostei muito do poema, transmite desejo e suavidade.
Tenha uma excelente semana.

Zilani Célia disse...

OI MANUEL!
BELÍSSIMO TEU POEMA.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Diana Fonseca disse...

Uma bela flor e um belo poema. Gostei muito da simplicidade e candura.

Armando Sena disse...

O Poeta é um malandro. Ainda bem.
ab

Ana Freire disse...

Arrebatamento, e talento... nesta belíssima inspiração... com a essência de uma rosa... onde se desenha o poema... qual flor silvestre...
Belíssimo e profundo, como sempre, Manuel!
Beijinho
Ana

Tais Luso disse...

E sempre as flores, a rosa, a pétala se prestam a poemas ricos e inspirados na história dos poetas. Mais um luxo...

A percorrer o assombro
Dos dias. Por vir.

Bello, Manuel, Bello!
beijo.

Agostinho disse...

Que seria da flor, "Rosa e nome", sem seiva? Decerto murcharia sem os desvelos do Poeta.
Delicado poema sem dedicatória?
Abraço.