quarta-feira, dezembro 27, 2017

OS CONQUISTADORES E O OIRO


Oferecem-se aos conquistadores estandartes de oiro
Pavilhões de plumas de quetzal
Colares de oiro
E os seus rostos brilham de júbilo,
Brilham e rejubilam
Rebrilham os rostos vorazes

Como macacos estes deuses manuseiam o oiro
E com tal intensidade o manuseiam
Que seus corações parecem renovar-se
Como se o ouro ardesse dentro deles.

Arquejam de tanto peso amarelo
E nessa fome furiosa ainda pedem mais oiro
Sôfregos como porcos.

E agarram avidamente em pavilhões e estandartes
E levantam-nos, e brandem-nos, e correm
Por todos os lados como loucos.
Falam uma língua bárbara
Falam do ouro bárbaro,
Bárbaro é tudo quando falam.

Civilização Azteca – América

Colectânea “ROSA DO MUNDO – 2001 Poemas Para o Futuro”
Edição Assírio&Alvim – Abril 2001



9 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Que se calem
e que a ti
não te falte a palavra

Abraço
meu caro

José Carlos Sant Anna disse...

Caro amigo Manuel,
E o que mudou passados tantos anos?
E povo carrega o fardo mais pesado nessa corrida.
E bárbaros é o que somos?

Outro caloroso abraço, velho amigo!

Larissa Santos disse...

Gostei do texto.:))

Hoje:-"Chuva, onde desejo tréguas."
Bjos
Boa noite

Jaime Portela disse...

E os sôfregos (do ouro) como porcos continuam vivos e ávidos...
Excelente poema, parabéns.
Caro Veiga, o meu desejo de um BOM ANO NOVO, extensivo à família e amigos.
Abraço.

Gil António disse...

Passando, vendo, lendo, elogiando, anunciando:
.
Tema: *Geladas gotas na dor da separação*
.
E desejando:
.
Que o Ano Novo de 2018, entre na sua vida através da porta do coração, trazendo: Saúde, Fraternidade, Paz, Amor, gosto pela Partilha.
FELIZ ANO NOVO

Agostinho disse...

Ficaram sem dedos os vampiros do saque mas, mesmo assim, há reincidência no vicioso crime.

Bom ano, caro Poeta.

Olinda Melo disse...


Meu Amigo

Um mundo, um paraíso perdido. Muitas vezes surpreendo-me a pensar e a avaliar o espanto e o sofrimento desses povos perante a ganância e a falta de sensibilidade desses estranhos que lhes apareceram para a sua desgraça.

Um poema, um hino ao não-esquecimento. Estejamos todos atentos para que no presente e no futuro não se repitam barbaridades desse calibre.

Abraço

Olinda

Ana Freire disse...

E estes conquistadores bárbaros... cada vez são mais... e barbaridades praticam como alienados de valores, que são... matando o que se é... em nome do que se tem...
Mais um trabalho fantástico, que tanto nos oferece para reflectir! E que certamente permanecerá actual, num futuro a longo prazo... pois, às vezes há futuros... que se fazem eternamente presentes... a ganância, parece fazer fazer da génese humana, ao longo dos tempos...
Beijinho
Ana

Suzete Brainer disse...

Como adorei este poema! !...
Preciosidade, meu amigo!
Beijo.