segunda-feira, janeiro 22, 2018

Hei-de Plantar Uma Árvore...


Hei-de um dia plantar uma árvore
No canteiro mais nobre de meu jardim de prodígios
E hei-de rega-la todas as manhãs
Com o suor do meu rosto e
O melhor de meus afectos.

E até com o sangue de meus pulsos
Se necessário for. Para que a árvore cresça e floresça
E se desprenda generosa em apetecíveis frutos.

E abrirei então, de par em par, meus portais abertos
E hei-de gritar ao Mundo e a todos aqueles
De amor famintos.

E a todas as invejas
E a todas as pestes
E a todos os ódios

E a todas as palavras predadoras:
“Este é meu corpo, tomai e comei!...”

Mas ninguém de mim espere que ofereça
A outra face. Ou que, de hipócritas perdões,
Me faça espúria Lei…



Manuel Veiga

11 comentários:

José Carlos Sant Anna disse...

"Mas ninguém de mim espere que ofereça
A outra face. Ou que, de hipócritas perdões,
Me faça espúria Lei…"
Assim não fosse, não seria o cordial amigo Manuel, defensor intransigente da liberdade e da igualdade entre os homens.
Poema irrompendo a pauta redondo, maduro como os frutos dessa tenra árvore.
Um fortíssimo abraço, caro amigo!

Larissa Santos disse...

Palavras sentidas. Adorei

Hoje temos para si:-Murmúrios em desnorte.
-
Bjos
Votos de uma óptima segunda feira.

Tais Luso disse...

Que lindo e forte poema, meu amigo!
Ao ler, na cadência a que me proponho, entro na reflexão de imediato.
Parabéns, Manuel, gostei imensamente. Senti uma ótima musicalidade.
Beijo, uma excelente semana.

Graça Sampaio disse...

Que força, amigo!!

Muito bom! Como manejas bem a metáfora!...

Beijinho

LuísM Castanheira disse...

nobre árvore essa prometida.
e que a terra seja merecedora
de todos os afectos.
o teu poema é vertical, directo e
sublime.
que seja assim... que ao poeta não falte, nunca, a vontade e o saber.
já podes ir pensando no título para um novo livro a publicar.
este será, de certeza, incluído.
um abraço, caro Amigo Manuel.

Suzete Brainer disse...

Este teu excelente poema, com ricas imagens poéticas,
no crescente melódico de uma voz altiva e questionadora,
a desnudar a dinâmica da vida, naqueles que sem máscaras semeiam:
"E a todas as invejas
E a todas as pestes
E a todos os ódios"
Destaco esta primeira estrofe do poema como expressividade
do caminho digno na vida:
"Hei-de um dia plantar uma árvore
No canteiro mais nobre de meu jardem de prodígios
E hei-de rega-la todas as manhãs
Com o suor do meu rosto e
O melhor de meus afectos."
Na minha leitura, percebo este teu poema como uma
"trilogia" belíssima e voraz (no bom sentido da ironia-altivez...)
com os outros dois poemas anteriores: "Como se mágoa fora" e
"Sonho e Mágoa...", todos os três de imensa expressividade e
profundidade filosófica.
Parabéns, Poeta!!
beijo, meu amigo.

Teresa Almeida disse...

Grande poema, amigo Manuel!
Todos os dias cavas um pouco e afagas a terra.
E as tuas palavras vão gritando, ora de afeto, ora de rebeldia.
Continua! É sempre um prazer passar por aqui, entrar na tua casa. Os portões estão abertos.

Maria Silva disse...

Plantei tantas que nem lhes sei o conto...
Darão oxigénio um dia, mas perdidas ficarão para a metáfora, pois são tão reais quanto a vida.
Belo poema, Poeta.

Olinda Melo disse...


Bom dia, Manuel Veiga


Uma árvore. A imagem de uma vida prenhe de valores.
Amor e tolerância mas, sem favorzinhos e vitimizações.

Abraço.

Olinda

Odete Ferreira disse...

O caminho palmilhado em verticalidade, por isso nada melhor que ter como referente a árvore. O significado vai para lá do referente, pela força das palavras e pela arte em delas fazeres o teu Manifesto!
E como gostei disto!
Bjinho :)

Ana Freire disse...

E talvez, por isso, as árvores morram de pé... assumindo a sua rectidão, longe de hipocrisias... até ao fim...
Mais um trabalho formidável, Manuel!
Parabéns, pelo talento, e inspiração!
Beijinho
Ana