quinta-feira, março 08, 2018

A MULHER DE VERMELHO...


Rasgam-se as cortinas e sob o foco a Mulher
Esguia como o tempo liberto como o punho
Erguido ao céu da praça cheia e às canções!...
Maiakovski grita em métricas guturais:
“Abram alas ao Futuro que perpassa nas dobras
Do manto vermelho!...”

A Mulher inclina-se em dignidade soberba
Segura nas mãos a flor dos dias e nos olhos
O fervor prenhe de Lonjura e de Distância.
E a palavra ousada nos lábios escarlate
Como a túnica...

Em baixo uma criança negra soletra liberdade
Nas pétalas desfolhadas do cravo rubro
Que a mãe lhe dera com o leite...

E o pai sorri com os imaculados dentes
Da fome. Com o grito. Como a guerra.
E ergue o punho à Mulher de Vermelho
Que o acolhe no seu seio de cristal...

E o devolve ao Povo acumulado na Praça
Num gesto de febre
E luta...

Viva a Liberdade!


Manuel Veiga
"Poemas Cativos" - POÉTICA Edições – pág. 51
Lisboa 2014

8 comentários:

José Carlos Sant Anna disse...

E Viva a Liberdade! E que se cumpram as promessas. É o peperado!
Forte abraço,

José Carlos Sant Anna disse...

Leia-se esperado!

Teresa Almeida disse...

Expressivas imagens de paixão e liberdade: o vermelho, a mulher, o punho, o grito ...

Nas tuas palavras algo arde.

Beijo, meu amigo.

luisa disse...

Uma mulher forte.

Larissa Santos disse...

Belíssimo texto. Adorei.


PS: Ocorreu um erro, saída dum tema. Hoje o tema é do:-
Gil António:- Fogo de Amor: O Infinito da Mélica Ternura
.
Bjos
Votos de boa Sexta-Feira

Suzete Brainer disse...

Manuel, meu amigo

Maravilhoso a partilha novamente deste teu imenso
poema, a louvar a Mulher na sua importância única,
do todo em que a Mulher é e que faz na superação sempre,
a luta pela liberdade de Ser e dela a vida no
simbolismo maior do criar e transformar!...

Muito, muito grata pela partilha novamente
deste poema especial.

Beijo.

Graça Sampaio disse...

Viva!
Mas tantas «mulheres de vermelho» ainda por libertar... :(

Olinda Melo disse...


Apreendo agradada esse percurso e esses símbolos.
Mas há uma imagem que me fica impressa no espírito:

Em baixo uma criança negra soletra liberdade
Nas pétalas desfolhadas do cravo rubro
Que a mãe lhe dera com o leite...

Uma liberdade que já vem naturalmente, que é
transmitida como fazendo parte do próprio ser.

Abraço

Olinda