quinta-feira, maio 10, 2018

Do AMOR e Da GUERRA - Fragmentos - Lançamento




 Sábado, 2 de Junho às 16:00 - Palácio Baldaya
Estrada de Benfica, 701 - Lisboa


"A deliciosa simplicidade da obra inicia-se com a primeira frase do livro: “O autor não existe”. Assume-se assim o autor como um ser fora da história ou de somenos importância. O livro inicia-se, assumindo-se de forma desafiante como se não houvesse um narrador humano, e onde o próprio livro ganha essa especialidade. É assim que a obra ganha vida e forma no palco da imaginação e vive das emoções criadas pelo enredo.

E o enredo é fantástico, tanto pela remanescência das memórias de um escritor que se revela, mesmo não existindo autor, mas também por se afirmar um livro maduro e enredado nos saberes da vida, que fala por si num espaço temporal de memória, no espaço que lhe couber, para acolher personagens, com liberdade plena para serem moldados e caracterizados pelo leitor, deixando à sua mais ímpia imaginação, as feições, gestos e anatomias, sem que isso altere o rumo da história.
(…)
O livro veste o leitor com os seus atributos, e o seu conteúdo torna-se aliciante na leitura. Cresce e ganha forma, como os seus personagens na construção da história. E porque não há autor, é o livro que veste o corpo de um ser que viveu uma trilogia social, entre dois regimes e o teatro de uma guerra. Fragmentos  rasga o convencionalismo da escrita e fala como gente que vive o que escreve, semeando as emoções reais daquilo que efectivamente é importante no enredo.
(…)
A guerra na Guiné, talvez a maior das fobias coloniais para os soldados portugueses, contrasta no seu absurdo, com a absurda realidade da tentativa de transformar em máquinas de guerra, gente simples e pacífica que simplesmente tenta sobreviver num país decadente e inerte, despejando-os num palco de um outro mundo, sem uma justificação coerente, onde tanto fere a razão de tal facto como a metralha. E neste espaço se embriona a revolta interna das consciências da simples gente, que se sente usada num conflito que não é seu e que nele resgata as memórias da sua origem.

Um conflito armado que gera conflitos existenciais que forçosamente mudariam o discurso literário e filosófico de toda uma sociedade e mentalidade emergentes. Fala-nos assim este livro, numa escrita inovadora, moderna e atraente, desmistificada e que motiva, mesmo ao leitor mais passivo, o interesse pela leitura.
(…)
Uma obra extraordinariamente criativa pela forma como estruturalmente é apresentada e que deliciosamente nos prende do início ao fim."

Raúl Ferrão, escritor

(Posfácio)



14 comentários:

Emília Pinto disse...

E essa guerra na Guiné diz-me muito, embora não tenha deixado traumas nos dois soldados que a viveram e que hoje fazem questão de encontrar bons amigos que lá fizeram; contam casos tristes, situações dificeis que viveram, mas também momentos de boa camaradagem. Guerra que não quiseram, mas que foram obrigados a fazer e aqui, amigo, neste cenário sempre desolador todos os verbos são transitivos, todos fazem parte de orações completas ; hå sempre sujeito ( vários....), predicado ...( também vários. ) e todos os complementos, directo, indirecto, circunstânciais de lugar ( onde, de onde, para onde ) e, amigo, até de modo também. Nesta e em todas as guerras podemos empregar tudo o que aprendemos na gramática, menos aquele verbo intransitivo simples e que qualquer criança aprende com grande facilidade- Amar
E agora resta-me dar-te os parabéns pelo livro e desejar-te muita sorte e sucesso. Um beijinho
Emilia

Gil António disse...

Bom dia. Passando e elogiando mais uma publicação fantástica. Acredito que seja um bom livro repleto de estórias e vivências.

* Amar-te na periferia do Contratempo *
.
Cumprimentos Poéticos

Jaime Portela disse...

Tive amigos que estiveram na guerra da Guiné...
Parabéns por mais este livro.
Que desejo que tenha um enorme sucesso.
Bom fim de semana, caro Veiga.
Um abraço.

Tais Luso disse...

"Uma obra extraordinariamente criativa pela forma como estruturalmente é apresentada e que deliciosamente nos prende do início ao fim."

Como eu não tenho nenhuma dúvida disso, também não duvido que será um belo sucesso. Mais um livro, mais um orgulho pra você, meu amigo, mais uma realização! E desejo o máximo em tudo!
Beijo!

Mar Arável disse...

Ainda não tenho condições para te dizer se estarei presente como gostaria
mas desde já te dou o abraço de sempre
e te desejo o melhor

Teresa Almeida disse...

"Fragmentos rasga o convencionalismo da escrita e fala como gente que vive o que escreve..."

Gosto do posfácio. Assertivo. Gostei de acompanhar o enredo por aqui e do diálogo que - naturalmente - estabelecia com o leitor. Fomos percebendo que Manuel Veiga para além de, habilmente, deixar a sua própria luz em cenário de guerra, tem um compromisso estético e vibrante com a palavra. E este é um tema que nos é próximo física e emocionalmente. Assim, auguro e desejo grande sucesso para "DO AMOR E DA GUERRA".

Abraço arrochado, meu amigo Manuel.

José Carlos Sant Anna disse...

Caro amigo,

O termo "axé" (de asé , termo iorubá que significa "energia", "poder", "força") pode se referir tanto aos assentamentos de orixás que ficam nos pejis como, por extensão, boa sorte em um novo voo. É como nós, baianos, desejamos aos amigos boa sorte: axé! O horizonte lhe pertence, o céu é seu... Alguma coisa me diz que o livro percorrerá uma caminho vitorioso... porque a tua escrita é irresistível...
Um forte abraço, Manuel!

Graça Sampaio disse...

Como de costume, não vou poder ir, mas deixo aqui os meus mais sinceros votos de muito êxito!

(este vou ter de comprar!)

Beijinho especial.

Rogerio G. V. Pereira disse...

Talvez por lá apareça
E se tal vier a acontecer
Te reservo uma surpresa
Esperemos... vamos ver

(há compromissos que não dependem de mim...)

Suzete Brainer disse...

Caro amigo Manuel,

Tu sabes do meu apreço e admiração à tua
arte literária. Tenho um carinho especial por
este teu livro, os Fragmentos que aqui accompanhei
e sempre surpreendida pelo o "autor que não existe",
originalmente construiu um caminho narrativo único e
arrebatador, a ficar inesquecível diante de uma obra
literária imprescindível, uma leitura ímpar.
Maravilhoso este posfácio, um convite irrecusável e
especial.

Muito sucesso e felicidades neste dia, o teu livro,
um orgulho para ti, escritor e ou para o "autor que
não existe"!...rss
Parabéns, meu amigo.
Beijo.

Olinda Melo disse...

Temos obra! E muito em breve! Obra que vai preencher algumas das lacunas que se verificam em relação a essa época e a esses factos.

Que no dia do lançamento tudo decorra a contento.

Ficaremos a aguardar o seu aparecimento nos escaparates online ou outras.

Desejo-lhe sucesso.

Abraço.

Olinda

Olinda Melo disse...

...ou noutros espaços.

Abraço

Agostinho disse...

Pelo que leio há na obra um desafio emanente a que o leitor não poderá fugir pela forma que deste à narrativa sem narrador. Hei-de lê-lo.
Os maiores êxitos, MV. Se estivesse oor perto e pudesse marcaria presença na apresentação.
Abraço.

Ana Freire disse...

Um tema que nunca se esgotará... pois quem não esteve lá, no meio da guerra... nunca poderá saber a história toda... e ela precisa de ser contada... muitas vezes... para que todos se mentalizem... que as guerras, nunca nos trazem soluções...
Votos de muito sucesso, para o seu novo livro, Manuel!
Adorei o prefácio!
Um beijinho! E tudo a correr conforme deseja... principalmente, neste dia tão especial!...
Ana