terça-feira, maio 15, 2018

ORLA DO TEMPO...


 Orla do tempo
E bainha das coisas perecíveis
Na maceração dos dedos.

Todas as esperas se declinam
Em ausências.

Apenas o fio de Ariane
E a frágil teia e a oscilação
Da memória.

E o sopro do Acaso. Apenas.

Nada perdura.
Todas as devoções cristalizam
E todos os vagidos
São grito. Sufocado.

(Ou nostálgica melodia)


Manuel Veiga





12 comentários:

Larissa Santos disse...

Lindo :))

Hoje:- Sonhei...Com uma rosa prometida.

Bjos
Votos de uma óptima terça-Feira

José Carlos Sant Anna disse...

Caro Manuel,

Essa obstinada experiência da linguagem que é a poesia está sempre presente neste espaço porque aqui há sempre algo por desvendar em torno da sua palavra poética para que possamos alcançar suas raízes. É sempre uma nova realidade que nos cabe descobrir, assimilar. Neste novo poema não é diferente...

Um forte abraço, meu caro amigo!

Tais Luso disse...

Um belo poema emoldurado por uma canção maravilhosa! Vejo o 'todo' como uma obra de arte. Imaginação.

Nada perdura.
Todas as devoções cristalizam
E todos os vagidos
São grito. Sufocado.

Linda postagem Manuel!
Uma ótima semana pra você.

São disse...

Como doem os gritos sufocados...

Foi bom ouvir Montand

Beijos

Ana Freire disse...

Só o tempo, nos ajuda a descobrir a alma das coisas... e é só o que nos fica delas... a sua alma, na nossa... pois no tempo... nada perdura... e contudo, dele, tudo nos fica... cá dentro!...
Um poema muito belo e profundo, Manuel! Adorei cada palavra!
Beijinho! Continuação de uma boa semana!
Ana

luisa disse...

A memória é frágil e muitas vezes enganadora.

Teresa Almeida disse...

Com a melodia de George Moustaki tento seguir o fio do teu pensamento. E gosto do sopro do acaso. Realmente "nada perdura", mas o fascínio da tua poesia sobrevive.

Fico mais um pouco com a melodia nostálgica de Yves Montand.

Perfeito, meu amigo Manuel.

Beijo.

Jaime Portela disse...

Nada perdura, na verdade.
Excelente poema, parabéns pela inspiração.
Continuação de boa semana, caro Veiga.
Um abraço.

Julia Tigeleiro disse...

Belíssimo, quase etéreo...

Pedro Luso disse...

O Seu poema "Orla do tempo" pode pedir mais de uma leitura, para os amantes da poesia, para que possam aproximarem-se do seu conteúdo, ou mesmo para "criarem", tais leitores, as mensagens do poema, sem que isso signifique apropriação da obra. Um belo poema, amigo Manuel. Parabéns.
Aproveito a oportunidade para desejar sucesso ao seu novo livro, que muitos sejam os leitores, e que passem à frente a novidade.
Uma excelente semana.
Um abraço.
Pedro

Olinda Melo disse...

Um dos seus melhores poemas, caro Manuel.Senti essa efemeridade a tactear-me a pele e o pensamento. No fim, apenas a memória mas também ela tão contigente, si fragile!

E a voz de Yves Montand a marcar a toada.

Abraço.

Olinda

Suzete Brainer disse...

Este belíssimo poema traz duas estações do tempo,
interior e exterior.
Neste caminho das horas do "senhor" tempo nada perdura,
mas paradoxalmente no sentir do tempo interior,
tudo pode eternizar-se...
Digo, que a escolha da música sublime (etérea...)
a conjugar (nesta "nostálgica melodia") com a
outra arte, do poema magnífico, perdurarão no eco
da arte que eterniza a beleza!

Apreciei muito, meu amigo.
beijo.