sábado, junho 16, 2018

Todos os Rios São a Mesma Sede



Para a minha amiga Suzete Brainer
distinta Poetisa brasileira

(Evocando o seu recente Poema "Sem Palavras")


São os deuses traiçoeiros em seu delírio
E das pátrias decidem as bandeiras
Como destino dos homens.

Em cada dor, porém, uma tempestade
E um rasgo de mãos acesas
Sem fronteiras.

Nada do que é humano respira sozinho
E os Povos não reconhecem oceanos
E todos os rios são a mesma sede
E crestados lábios.

E todas as fomes se somam
E todas as angústias são látego colectivo.

E em cada luta há sempre um afago indefinido
E em cada muro um grito subterrâneo
Que explode em cada gesto
De dizê-lo.

Nada os deuses nos devem
Mas são os homens que se inventam
Em cada dádiva de amor rebelde
E liberdade

E quando um Povo sofre (ou se liberta)
É toda a Humanidade!…

Manuel Veiga




14 comentários:

Suzete Brainer disse...

Meu querido amigo,

Fiquei sem palavras!...rss

Muito emocionada com o seu gesto de amizade,
generosidade e solidariedade nesta irmandade
de partilha poética e literária aqui entre nossos blogs.

Voltarei com calma e as emoções arrumadas, para
comentar este teu poema obra de arte, que me sinto
lisonjeada da sintonia com o meu poema.

Este teu gesto ficará gravado para sempre na
minha alma, meu amigo Poeta admirável, Manuel Veiga.

Muito, muito, grata.

Grande abraço grato, viu, Poeta de coração gigante
de humanidade!

Suzete Brainer.

LuísM Castanheira disse...

Manuel, meu amigo:

Lançaste aqui um poema magnifico, de "um rasgo de mãos acesas
Sem fronteiras.".
Nestes tempos conturbados que o Brasil atravessa, e que o poema da Suzete tao bem exprime na simplicidade e beleza que a caracteriza, toda a poesia tem de ser um grito, alto e ensurdecedor.

Admirável.

Um abraço. (via PC, agora, com teclado USA)

Teresa Durães disse...

Belíssimo!

Tais Luso disse...

Meu amigo, que lindo poema e linda tua homenagem!
Pois Junto-me a ti para essa merecida homenagem à Suzete. Sentimos muita emoção e verdades escritas em seus poemas, ela escreve com o coração, e quando deixamos o coração falar, sem amarras, livre e solto, emociona sempre. Muitas vezes saí do blog de Suzete com brilho nos olhos e com nó na garganta. E esse poema que falas Sem Palavras , diz muito de nós, brasileiros, do nosso momento angustiante e sem sabermos do nosso destino.

Parabéns, meu amigo, sempre sensível. Coisa de poeta, não?

E todas as fomes se somam
E todas as angústias são látego colectivo.


Beijo!

Pedro Luso disse...

Amigo Manuel, vejo que a cada dia o poeta se renova, rompe barreiras e tem o céu como limite, um poema inspirado com o "plus" da dedicação à nossa querida amiga poeta Suzete Brainer, uma feliz e merecida lembrança. Parabéns.
Um bom domingo.
Um grande abraço.
Pedro

Julia Tigeleiro disse...

Um abraço universal, porque somos um todo. Lindo este poema, para doce Suzete. Um beijo aos dois.

Teresa Almeida disse...

A melodia dá a entrada e a magia toma-nos de assalto. Depois aquela sensação de plenitude na palavra. É a escrita com cunho pessoal. Brilhante. A contemplada, hoje, é Suzete Brainer, uma amiga comum cuja pegada poética sigo com prazer. Estimo-a como pessoa e como poetisa. E já lá vão uns anos. Merece este louvor como tesouro. Um poema cravado no coração do Brasil. Um poema de preito e de luta.

Só posso congratular-me e abraçar os dois.

Acrescento que és, meu amigo Manuel, um “Poeta de coração gigante de humanidade” – como diz a Suzete.

Suzete Brainer disse...

Meu amigo,

Tenho que começar por este título, "Todos os Rios são a mesma
sede", isso é perfeição na expressividade poética, né?!...
A vida (rios) tem a mesma sede de ser vida, em qualquer lugar
e caminho que ela esteja essencialmente...
Acredito como eu, o poeta e todos os humanistas, gostaríamos
que a vida fosse digna numa igualdade social mundialmente.

"Em cada dor, porém, uma tempestade
E um rasgo de mãos acesas
Sem fronteiras."

"Nada do que é um humano respira sozinho"
Esta consciência que o poeta brilhantemente imprime neste
poema magnífico:
"E todas as fomes se somam
E todas as angústias são látego colectivo."

No final a louvação a esta irmandade da raça humana:
"E quando um Povo sofre (ou se liberta)
É toda a Humanidade!... "

Muito, muito grata pelo privilégio da leitura deste teu poema
luminoso de grito de humanidade. Mais ainda, somando ao
teu gesto de amizade e consideração na sintonia poética (nossa).
Adorei o som(o Blues, paixão da alma...)!!
Feliz domingo na paz para o poeta e família!
beijo.

Ana Freire disse...

Sendo o mundo uno... nunca entenderei porque procura a humanidade esta sede de divisão... de exclusão... de fronteiras... muros... de desumanidade, talvez...
Talvez um dia, a humanidade compreenda mesmo, que todos os rios, são a mesma sede de mar... que nos une a todos...
Magnífica e merecidíssima homenagem, à Suzete, cujo trabalho e sensibilidade, muito admiro!
Deixo um beijinho, a ambos... e os meus votos de uma excelente semana!
Ana

José Carlos Sant Anna disse...

Caro Manuel,

E, então, dizer mais o que além do que disseram os olhares penetrantes que me antecederam? Dizer que me congratulo com os dois poetas extraordinários, que trazem a sensibilidade à flor da pele. Sei que é pouco, mas vejo no poema que o resgate do caminho de todos os povos, sobretudo dos brasileiros, passa pela força das nossas mãos, das nossas gargantas, da nossa luta.

Abraços para os dois poetas,

manuela barroso disse...

Numa homenagem linda e bem merecida à nossa poeta Suzete , o teu grito de desalinho e descontentamento e sede de justiça e paz numa poesia belíssima .
Um beijo e parabéns , Manuel

Agostinho disse...

O Poeta sabe, é evidente, e diz a verdade das bandeiras desfraldadas. É que,
quando um Povo sofre
não há milagre nem deuses
que lhe alivie o jugo
que lhe confira a liberdade

é na vontade junta a outra
vontade como os dedos da mão
e a mão a outra mão
até que a marë se eleve e
varra o caduco em putrefação

Abraço.

Graça Sampaio disse...

Muito, muito bom!!!

Se Ricardo Reis tivesse nascido para lá dos montes, teria escrito assim.

Disse.

São disse...

Merecida homenagem!

É bom continuar na blogosfera, embora, com dificuldades pelo caminho, para viver momentos destes!

Carinhoso abraço para vós