sábado, janeiro 12, 2019

NEGA-SE O VERBO


Abre-se a palavra ao vento
E no entanto o verbo
Fica preso …

De nada lhe servem
A afoita dança dos signos
Nem o bê à bá das leituras
Eruditas …

Nega-se o verbo!

Que nada nesta hora
Inflama a ardência das sílabas
Nem a espuma das salivas…


Manuel Veiga

11 comentários:

Larissa Santos disse...

Um poema sublime:))

Bjos
Votos de um óptimo Sábado.

Pata Negra disse...

Se bem percebo, é a falta de expiração de poeta. Nesse caso, o melhor, é deixar espreguiçar as palavras e marimbares-te para os verbos, para a gramática e respeitar apenas a sílabas. Reduz-te à sílaba, mesmo que as palavras te pareçam pequenas, siliba apenas, pois não é das sílabas que se formam as palavras e, por isso, das sílabas também que nascem os versos?
Olha como é bonito silibar: a-bra-ço!

Teresa Almeida disse...


Nada detém a fertilidade da inspiração.

E ergueu-se o poema apesar da negação do verbo.


Beijo, meu amigo Manuel.

luisa disse...

Também o verbo está em greve? Que reclama? Ele que se decida antes por uma manifestação. :))

Tais Luso disse...

Do nada, do nada... saiu um belo poema!
Difícil faltar inspiração pra você, poeta!
Um beijo, e um lindo domingo de inverno!

Ailime disse...

Bom dia Manuel,
Outro poema muito belo.
Prende-se o verbo mas a poesia, como que impelida pelo vento, solta-se magistralmente.
Beijinhos e bom domingo.
Ailime

Boop disse...

Que descanse o verbo
Que não se inquiete o poeta
Ressurgirá fortalecido seguramente

Olinda Melo disse...


Por vezes, perante as incongruências dos dias que atravessamos ficamos sem palavras, a eloquência se esvai, ficamos enredados, e o bê à bá que poderia ser de fácil soletração enrodilha-se nas sílabas. Mas o Poeta consegue transformar essa dificuldade num soberbo poema, oferecendo-nos um belo momento de leitura erudita.

Gostei muito, Manuel.

Abraço

Olinda

Suzete Brainer disse...

Meu amigo Poeta,

Sinceramente, não acredito que o verbo se negue ao
teu convite de fazê-lo um percurso com as palavras
plasmadas de beleza, significados e arte, na
estação Poesia.

Acredito, que um poeta do teu nível, as sílabas se
rendem para brilhar no teu palco do verbo Amar-Poesia!...

Surge este poema original e analítico sobre o processo
do poeta no seu perfeccionismo, a se queixar da fuga do verbo.
Maravilhoso, meu amigo.
Bjs.

José Carlos Sant Anna disse...

De qualquer modo se rendem as palavras, elas não resistem ao seu chamado ainda que o verbo se negue.
Aqui raia a manhã. Um bom dia!
Um abraço

José Carlos Sant Anna disse...

De qualquer modo se rendem as palavras, elas não resistem ao seu chamado ainda que o verbo se negue.
Aqui raia a manhã. Um bom dia!
Um abraço