quarta-feira, fevereiro 26, 2014

EPIFANIA DOS DIAS CLAROS...


Somos destroços entre objectos e as coisas
Que se instalam no âmago e nos devolvem a aparência
Como imagem especular de urgências
Multicores...


Ajoelhamos perante novos deuses e sacrificamos
Mansidões no lugar geométrico da Abundância.
Novos jardins de Canaã lambendo os dedos
E olhos esventrados na luz fria dos néons.


E calcorreamos o tempo, acorrentados. Novos altares
Erguidos no fervor do Mesmo - cacofonia de uma Festa
De que perdemos razão e rasto.


Sons e cores apenas. Esbracejantes. Sobras
Do festim com que novos ritos se adornam
Na celebração do Excesso...


É neles que reina a divindade e se erguem catedrais
Em seu louvor e culto. São eles a grande Metáfora
Que abocanha. E a Cloaca...


Espectros vivos em cerimonial de nados-mortos.
Somos amontoado e panóplia.


E o Espectáculo.


E a euforia do Crepúsculo
E a pletórica profusão da Mercadoria
Como desenho quimérico do Mito
Demiúrgico...
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Importa redimir a inocência das coisas
E libertar a palavra deserta. E no rosto solar dos homens
Estilhaçar o Espelho e verter o vento.

E as mãos doridas. E o barro amassado.
E a dores do parto.

E na imanência redentora das sombras
Escutar a subtil Diferença.
E alargar espaços onde os dias sejam
Claros.

Manuel Veiga

 

 

domingo, fevereiro 23, 2014

Zeca Afonso - Vejam Bem


NOTÍCIAS DE BABILÓNIA LII


Babilónia é um desastre. E uma paródia! Dolorosa...

Hammurabi, o legislador, reuniu sua seita e lambe as feridas da impopularidade... E alerta os babilónicos para preparem o lombo para mais “pancada” - magnífica imagem poética com que ilustra a sua acção politica...

Que irá doer mais ainda, que o corpo está dorido...

A vida dos babilónicos não está melhor e o barco afunda-se, mas a ditosa Babilónia navega em ondas de sucesso – incensam seus fiéis.

A praça, devota, escuta-o – e clarinho, clarinho reconhece que Hammurabi, o legislador, é o maior! – Nefastos são os babilónicos, que temem pela vida e pelo futuro...

Porque não? Talvez, estrangulá-los!
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E um velho ganhão, de mãos calejadas e as rugas vincadas: “Babilónicos, rebentem as peias – antes que venha a arreata. E a chibata...”