terça-feira, março 04, 2014

PORTA EM PORTA, CAMINHEIRO...



Talvez neste horizonte breve o fio de água
Despenhando-se na memória. Como esta fraga.
Ave planando sobre a presa e o repentino som
Da pedra. Granito ardendo no íntimo silêncio.
Como pomos de fogo calcinados de azul...

Debruço-me. Talvez a água agora seja apenas
Mãos no gesto de bebê-la. E a ave esta rapina.
Nem voo, nem pássaro sagaz. Ausência ainda.
Pura. Gavião e pomba desenhados no corpo
Do desejo. E meus olhos bêbedos de lonjura.

O vento que agora afasta a cinza é o mesmo
Embora. E a litania é eco no coro deslizante
De meus passos. Não a vereda palmilhada.
Nem as vestes. Ou o sangue seco dos espinhos.
Apenas rumor de fogo na palavra celebrada.

Descalço e de bordão como antigos monges
Colho a folha do carvalho. E enfeito os dias
Porta em porta, caminheiro. E no portal de mim
Me acolho exausto. E mordo e rasgo.

E clamo: “Casa em que me guardo.
Terra quanta vejo!...”

 
Manuel Veiga

 

 

sábado, março 01, 2014

ADRIANO ERGUEM SE MUROS


NOTICIAS DE BABILÓNIA LIII


Em Babilónia, o barco continua atascado e sem maneira de arrancar.

Hammurabi, o legislador, empolga-se a jogar dados e na escolha dramática  de “saída suja, saída limpa”. Agora, em nova configuração “duro ou brando”...
 
Anti-Hammurabi, o inseguro, “caça borboletas” - diz quem sabe...
 
A praça boceja...
 
Os babilónicos “aguentam e preparam as costas doridas para mais pancada...
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E um velho trovador, ídolo de outras épocas: “Fazei-vos ao mar, babilónicos, antes que sequem os rios”...