Era um tempo sem
tempo, como se a garganta
Fosse o grito em
profusão de mil ecos
Na serenidade do
vale.
Ou pássaro
milenar em vertigem do voo
Os insectos
sorviam o néctar e as azedas
Línguas
crespadas na acidez da ceia
Que a lonjura
retardava – o caminho era ainda
Não regresso...
Antes era passo
alongado em cadência breve
De sol macio.
As giestas
fervilhavam em zumbido amarelo
A que a brisa
dava asas e se infiltrava
E descia sob os
fios dourados de meus olhos
Como inesperado
manto em régios ombros.
Grinaldas de
açucenas que o açude toldava
Na distância de
colhê-las. Apenas o olhar as desenhava.
- Imperecíveis na
memória de meus dias.
E a água. E a
cantata. E o sobressalto dos sonhos
Como inquietos
potros. Míticos.
E o esplendor de
mirtilos. E a festa dos sentidos
Em explosão de
Primavera.
Manuel Veiga