Na linha de água
de meu peito
Onde todos os
afluentes se desatam
E todas as
memórias se derramam.
Nesse fermente
lugar
Onde todas as
sedes germinam
E os ventos
estivais se rasgam e se agitamEm prenúncio de tempestades
Ou como serena mansidão de colheitas.
Na lonjura de meus olhos onde
Todos os estremos se apartam e o azul
Se desmancha como poeira dos caminhos.
No crepitar da rocha antes de ser casa
Ou muro, ou cal, ou poiso de cansaços
Ou voo de ave no delírio das montanhas
Ou sombra benigna ou fogo da palavra
Antes da combustão dos dedos.
No pináculo de meu sangue erecto
Onde os afectos escorrem
Como tálamo
E a febre se despenha
Fosforescente
Na fruição
Dos sentidos.
No bravio cardo de mim
E na solidão dos caminhos.
E nas encruzilhadas do tempo
E na glórias passageiras.
E nos espinhos.
Estendo o vazio de meus braços
Que os deuses ignoram
E recolho as dores da hora
E os frutos breves
De meus enleios.
Fugazes que sejam!...
Manuel Veiga