Abrasa o sol
nesta miragem. A distância é o voo
E a canícula. E
a ave soletrando o círculo.
E o zénite...
E a violenta
brancura do azul no fio de meus olhos
Agitando a brisa
cálida...
E o esqueleto
calcificado no restolho
Abandonado.
E o cardo seco
E a poeira ...
E a gotícula lambendo
a pele nua
E os lábios
gretados. E a sede das horas
E os passos
sobre o eco...
E o arfar
solitário.
E este latir de
condenado...
Infinita esta paisagem
em que me detenho
Como planície
inventada
Ou voo quebrado...
Estridência de
cigarra acesa
Ou secreta
cotovia em alvoroço
Adejando por
dentro.
E o milagre
Do canto
Inesperado...
Manuel Veiga
Manuel Veiga