terça-feira, setembro 09, 2014

NOTÍCIAS DE BABILÓNIA LVII


Em Babilónia, havia um ministro que gostava de robalos.

Era essa a sua circunstância – gostar de robalos e de facilitar negócios aos amigos! Fora essa sempre a sua vida...

Um dia, as circunstâncias da Justiça alteraram-se (pouco que seja) em Babilónia – e o ex-Ministro foi condenado por tráfego de influências...

Condenado, o ex-Ministro indignou-se. E, filosofante, sustenta que a pesada sentença visa, não a ele, mas a sua circunstância...
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E um jornalista da velha escola, de olhos cansados e ironia aguçada: “Sábia conclusão! As circunstâncias colam-se à pele como segunda natureza – importa saber cuidar delas...”


segunda-feira, setembro 08, 2014

GALERA DE GLÓRIAS PASSAGEIRAS...


Navego canela e marfim
E em meu sal marinheiro...

Solto os mares.
Que porto abandonado é fogo ardido...

Corsário de um corpo indefinido
Em cada remo me fundeio. A bruma é lua.
E o rosto indefinido vaga cheia...

Cartografia dos sentidos
Rebentando as veias...

Não mais bandeiras. Outras.
Apenas o convés engalanado
E o mastro altivo...

Tão grávida de Índias
Minha galera de glórias passageiras...

Manuel Veiga


quinta-feira, setembro 04, 2014

NÃO HÁ FESTA COMO ESTA...


 Transporta-nos ao Futuro. A Festa.
Como se o tempo fosse veleiro de todas as quimeras
E os punhos de agora explodissem em flores
Na boca das crianças...

E o ventre da terra fosse uma papoila ruiva
No corpo das searas. E os braços dos homens
Fossem torrentes de afectos no ombro cansado
De todos os proscritos...

E o trabalho o generoso gesto da partilha dos frutos.
Apenas.

Transporta-nos ao Futuro. A Festa.

Na claridade integral dos dias pressentidos
Que os homens desenham no ardor de suas lutas.
E na reinvenção do amor em cada esquina.

E no farnel da Igualdade.
E na febre de Liberdade.

Que os hinos sejam. Então. E os rituais se cumpram
Como umbrais de Esperança. E luz de alvorada.
E lanterna. E guia nos passos de dor
Que trilhamos.

E a porta aberta. Seja.

E o rosto dos homens livres e diversos
Seja em seus traços alegoria sinfónica
Do Mundo...

Manuel Veiga