sexta-feira, outubro 10, 2014

NOTÍCIAS DE BABILÓNIA LX



 Babilónia tem um Crânioe um Crato!...

Hammurabi, o legislador – outro Crânio!... – atribuiu,  não se sabe bem se ao Crânio do Crato, se ao Crato do Crânio  a tarefa de iniciar os jovens nas subtilezas do Ábaco...

Então o Crato do Crânio inventou o Caos... 

E a teoria da imponderabilidade – os professores são e não são e nunca se sabe onde estarão...

A Praça encolhe os ombros e murmura que o Crânio do Crato é uma mera cacofonia...
........................................................................................

E um velho fantasma, que se quer bem sepulto: “Para quê mais? Aos babilónios basta saber ler, escrever e contar (pelos dedos)...”








quarta-feira, outubro 08, 2014

SOLITÁRIA ESCRITA DE TEUS PASSOS...



Solitária escrita de teus passos
Ténues marcas sobre a praia ainda virgem
E a descoberta do infinito manto do nada
E o prazer íntimo de caminhar descalço
Pura sensação de tudo...

Nada nos pertence. Apenas o solicito olhar
Sobre o grão de areia que somos
E a cálida brisa no rosto
E os afectos que derramamos
Por entre os dedos...


Assim a vida,
António!

sexta-feira, outubro 03, 2014

UM PARDALITO À MINHA JANELA...


Há uns dias que tenho um "cliente" especial à minha janela...

Um pardalito desajeitado e ladino teima em fazer-me negaças!... Com uma regularidade de fazer inveja, salta para o parapeito e põe-se de fora a olhar-me em desafio. 

Se me levanto ou lhe falo arranca de lá um grosso manguito e desanda... Se me concentro e finjo não lhe ligar, trata de me provocar com um atrevimento inaudito!...

Suspendo então as teclas e os códigos e, de olhar bovino, impávido, fixo-me nas suas cabriolas; olha-me então (pressinto-o terno) de cabeça inclinada, dá uma bicadas imaginárias, "amanda" uma substancial borradela e... asas para que vos quero!...

Como um risco de fogo, atravessa a poalha doirada deste sol outonal, e entre guindastes e fios lá vai ele perdendo-se sobre o Mar da Palha!...

Pensei oferecê-lo a alguns blogs políticos a ver se me via livre desta praga. Ou talvez a alguma senhora mais disponível, que, no intervalo dos seus desenfados poéticos, pudesse afagar-lhe as penas e apurar-lhe o luzimento!...

Mas não posso!...

Tenho que levar até ao fim o meu castigo. Sussurram-me os deuses das coisas simples ser o espírito do jovem drogado que, com a minha moedinha diária, ajudei a matar...


Tenham bom fim de semana.