Sob a dominância
dos escombros e dos dias gelados
Tacteiam os
dedos a fina película dos muros
Em que a
metamorfose da cal se desvanece
Como palavras
gastas ou fomes caladas
Sem reverso...
Profusão de
sombras por onde sobem nossas dores
Como larvas
tecendo o casulo e a teia
Na amargura dos
dias
E no degredo das
paisagens.
Clarins sorvendo
a alvura do silêncio
E sem mais
restar que o sopro
E a inversão
meteórica das vozes em polifónicos
Cânticos
calcinados...
Nada sugere
outra luz ou outra vibração
Que não seja o
lusco-fusco e a palidez dos dias saturninos
Ou auroras de
frio...
E no entanto o
grito sufocado dos dedos
E os lábios
gretados balbuciam inesperadas correntes
E águas soltas e
margens extravasando percursos
Percorridos.
Subtis incandescências
no topo das montanhas
Ou o delírio de
pássaros talvez
A balancear o
voo...
Manuel Veiga