Quando as
estrelas se fundem por capricho
Ou invisível
Fado. E o universo é apenas tela
Ou registo do
matricial fogo.
E os próprios
deuses se espantam
E invejam essa
nova luz a despontar.
Inelutável.
E toda a poalha
vibra em ritmo novo.
E todas as
trajectórias dançam.
Incontidas.
E as alvoradas são
a arder em chamas.
E o grito é
glorioso toque de trombetas
E a palavra é
ligeira vibração de nada
Incrustada no
dorso de todos os sentidos.
Então o Prodígio
acontece. E desce
À mesa do poeta.
E o poema é cerimónia secreta
A desvendar-se
virgem no palato e língua
Fruto pagão e
bailado bocas.
Rítmicas.
Manuel Veiga