Bem no alto, no
topo mais alto de todos os topos
Onde todas as
bandeiras se desenham e os ventos
Flutuam abrindo
espaço aos hinos e as espadas
São o faiscante
sol das batalhas e as gloriosas
Demandas de
todos os destinos e os passos dos homens
O pulsar ainda
magma das cidades futuras e os mares
São o sonho
líquido das montanhas e as caravelas
Um punho fechado
de utopias desertas. Nevoeiro
E visionário
rasgo de profecias alvoroçadas
E as pátrias são
iniciático gesto e o ombro de escravos
E os dias se
contam por mistérios.
E a música é
planície
Sem topo e
infinito silêncio maturado de mil ecos
E respiração das
estátuas.
E todas as
coisas falam
Do seu destino na
linguagem primordial dos afectos
E das recusas e
se moldam qual partitura de uma sinfonia
Sem maestro. E
as palavras e as coisas se incendeiam
No mesmo fogo. E
se dizem numa geografia de territórios
Íntimos. Verso e
reverso da mesma fala. Trama de luz
E sombra a
desenhar os invisíveis fios da memória
E as brumas da
História.
Então o poeta
demiúrgico embora é aprendiz de feiticeiro
E o poema não
mais que desmaiado reflexo
Da grande metáfora do
Mundo.
Manuel Veiga