Rasga o poeta as
vestes e clama seus passos
Ousando, de
queda em queda, o fogo do milagre
E os caminhos de
Damasco
E a Iluminação
perene
Que o redima.
Não a prece, nem
a tempestade. Nem o anjo.
Nem a espada -
são de pedra seus passos
E inóspitos seus
caminhos.
E é de areia o
rosto das miragens.
E é de fel o
colapso de seus dias
E de amargura a
água dos rochedos.
Mas ousa o poeta
o milagre inscrito
Nas humanissimas
dores da Humanidade
E nelas lava seu
corpo místico
Como se rio fossem...
Manuel Veiga