Que mil metáforas-trapaças
floresçam. E brilhem.
E desçam. E de pétalas
abertas
Abismem as cabeças.
E se celebrem, anafadinhas,
Em esmeros
De artesão.
E se ergam – as metáforas-trapaças.
Às resmas!
E na euforia dos versos
Chovam. E lutem contra
O destino. Como o Fado!
Que de metáforas-trapaças
- eu vou ali e já venho!
Em verdade vos digo que
afinal
Não tenho nada contra
elas.
Mas não as engulo. Não sou capaz, não!
Até faço jejum e de
canela as polvilho
Para as poder tolerar.
É este o meu azar. Não as consigo
tragar
Não as metáforas. Que
aguentam tudo
( Até eu lanço mão delas -
coitadas! )
Mas tão-somente aquelas
Que não passam de
trapaças.
E vos garanto não ser
cisma minha
Ou teima. É uma espécie
de azia
E um transtorno geral
Pior que óleo de ricínio
Em cólica intestinal.
Enfim, passo um calvário.
Eu bem as cuido
“coisinha linda”, piu … piu…
Das metáforas-trapaças –
está claro!
Mas é este meu fadário
Não tenho jeito nenhum
Para as hipnotizar,
coitadinhas!
Ou ser cocorocó de
aviário!
Confesso mais - não ter
paciência
Para feitos de tal tamanho.
Deixo-as, pois, para
quem delas faz bom uso
O cego olho de Camões
E a monumental porra do
Soriano.
Manuel Veiga