domingo, maio 07, 2017

CALIGRAFIA ÍNTIMA


No pórtico da Palavra onde – marés vivas –
Todos os sentidos se dizem e se desfazem
E todos os naufrágios se arrimam
E se revestem de alegrias frustres.

Nesse lugar de imponderáveis e de riscos
E de matriz de água e incêndios alvoroçados.
Devolvo ao mar – a grande Cloaca que tudo devora –
O náufrago nome infrene
E lhe ofereço todos os salvados
E todos os “nocturnos despojos”.
E todas as miragens.

E todas as palavras mortas
E todas as palavras ainda por dizer.

E numa caligrafia íntima – minha flor de sal –
Deixo que meu próprio sol
Se derrame à flor da pele – carícia breve!
E bálsamo seja. E limpe.
E arda.

Fogo-fátuo a iluminar por dentro
Os dias de porvir.


Manuel Veiga

...........................................................................

Poema que dará o titulo ao próximo livro
a publicar  brevemente.

terça-feira, maio 02, 2017

GLORIOSO É O CÂNTICO.


Declinar amor em fim de tarde. Apenas
Meteorito. Voo rasgado na cidade
Sobre o presságio da noite
Que agora o Tempo
Se recolhe. Puro acaso
Soltando o fio
Dos dedos.

Frémito a boca
E o corpo margem…

E estas veredas
Água calma escorrendo
E o Sol dobrado.
O centro
E o vórtice…

Glorioso é o cântico.
E o palco.

Manuel Veiga





segunda-feira, maio 01, 2017