sábado, junho 03, 2017

Dia Europeu e Mundial da Abolição da Pena de Morte




Dia Europeu e Mundial contra a Pena de Morte – 10 de Outubro ver

O dia 10 de Outubro é um dia de acção e reflexão no qual várias Organizações Internacionais Não Governamentais, Associações, governos locais, cidadãos anónimos e também o Conselho da Europa incentivam e sensibilizam os Estados que mantêm a pena de morte, a abolir tal prática das suas leis penais.

Portugal aboliu a pena de morte pela Carta de lei do Rei D. Luís pela qual sanciona o decreto das Cortes Gerais de 26 de Junho de 1867 que aprova a reforma penal e das prisões, com abolição da pena de morte.



Numa carta de Vítor Hugo, conhecido activista da causa da abolição da pena de morte, enviada a Brito Aranha, a 15 de Junho de 1867, é expressa a felicitação a Portugal pela aprovação da Lei: 

"Portugal acaba de abolir a pena de morte. Acompanhar este progresso é dar o grande passo da civilização. Desde hoje, Portugal é a cabeça da Europa. Vós, Portugueses, não deixastes de ser navegadores intrépidos. Outrora, íeis à frente no Oceano; hoje, ides à frente na Verdade. Proclamar princípios é mais belo ainda que descobrir mundos,"




sexta-feira, junho 02, 2017

FRUTA E PEQUENO ALMOÇO - Armando Silva Carvalho


E chega a vez das frutas.
São elas que enobrecem a impureza dos dentes,
As cavidades ocultas,
Todo o oco do ouro exibido pelos pobres
Em tempos menos austeros, em pequenas rodas da fortuna
Que se traz na boca, um açaime com poder.

Sobre a mesa, olho ainda as maçãs no escuro de Clarice,
A outra, inaugural, vermelha, de Sophia, numa pausa em que a
Escrita
Pode ainda derrubar os cálices de ambrósia na cozinha,
E me põe a mastigar o sumo das sílabas
Solares.

Porque há sol sublime
E a manhã ainda é um nome, disse outra poetisa,
Surgindo em colação.

Oh, o sopesar das laranjas de infância, sugando até à casca.
O fabricar dessa música dourada
A plenos pulmões, engasgava-me de vida
Uma tonta criança de triciclo,
Tão só a pedalar com os gomos na garganta,
Abrindo pela solidão adentro uma estrada só de fruta,
Frágeis mãos ao volante, garoto alucinado,

Caminho divido, pela penumbra da sala, pela polpa da memória,
Mas escondo eu a faca que reparte,
E o gume agudo e bruto
A sede de justiça dos pomares, a balança infantil
Das mãos dos deuses?

Sentado penso melhor, a sofreguidão fez com que empurrasse o Dia para o sumo,
Apalpo agora o veludo do pêssego,
Ensino à língua o sabor do outono, a suave alquimia
Das frutas demoradas,
A melodia intrínseca, essa aliança de sabores e saliva,
Esse desfazer do eterno sob o céu rapidíssimo
Da boca.

Armando Silva Carvalho –
“A Sombra do Mar” – Assírio&Alvim – Março 2017


quinta-feira, junho 01, 2017

QUE FAREI COM ESTE BLOG?


Relógio de Pêndulo – Apresentação

“Relógio de Pêndulo” não vem acrescentar nada ao muito que por aí se escreve, com maior ou menor qualidade. Passará discreto. É essa a sua vocação! Não entrará seguramente nas discussões idealistas sobre a importância dos blogs na democratização do nosso espaço público. Aliás, não tenho ilusões quanto aos blogs como instrumento de intervenção social. Queira-se ou não, a vida é lá fora e a política faz-se na praça pública. Tenho como adquirido que, no mundo da blogsfera, todos são “primos e primas” numa pequena aldeia global, alimentando pequenos clãs de afectos ou de meras simpatias, nas quais cada um se (re)conhece e (auto)reproduz como grupo, numa relação lassa e, certamente, gratificante, mas geralmente destinada a extinguir-se na espuma efémera dos dias...

Ao que venho, portanto? Direi que venho jogar-me numa folha em branco. Escrever é falar de nós. Mesmo quando nos ocultamos nas palavras que aos outros oferecemos. No jogo de máscaras - que as palavras, tantas vezes, são! - o rosto acaba sempre por se desvendar na sua verdade transparente. Dito de outra maneira, a palavra é sempre ideológica: diz-me como falas, ou do que falas, dir-te-ei quem és!..

E gostaria também de poder seduzir. Pela palavra, está bom de ver. Desejaria que os meus textos fossem apreciados por quem, eventualmente, os possa ler. É que a palavra, falando de nós, dá sabor à vida. Oferece-nos aos outros na dimensão dionisíaca do prazer. Diria até que a retórica da palavra (e a arte em geral) contribui para a erotização da vida. Diria... Se a palavra erotismo não estivesse tão poluída!...

Mas sejamos claros: falarei da “margem esquerda” da vida. Falarei de banalidades. Do riso e das lágrimas. Dos homens e mulheres concretos. Das emoções envergonhadas. E das gargalhadas espontâneas. Quem me dera ter talento para falar das qualidades (e defeitos) do Povo do meu País. E ser cronista das suas lutas...

Não tenho heróis. Mas confesso que os anti-heróis têm lugar cativo no écran em que me projecto. E as ideias heréticas e vencidas, que antes de tempo irrompem como húmus de futuro, são aquelas que povoam o meu ideário...


Porque, apesar de tudo, a Terra move-se...

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Este texto tem mais de 10 anos! 
Que farei com este blog?