apresenta, no seu último númeroum artigo sobre
a
actual situação económica, social e política no Brasil,
pela professora
universitária brasileira,
Cristiane Tolomei
da Universidade Federal de Maranhão
Pelo seu
interesse e actualidade, transcrevem-se alguns extractos e fotos que ilustram o trabalho jornalístico.
"Mais de cinco anos sendo vice-presidente do Brasil,
Michel Temer finalmente realizou o seu sonho de assumir a presidência do país
no dia 31 de agosto de 2016. Um pouco mais de um ano do governo ilegítimo,
Temer e seus companheiros buscam (e até o momento conseguiram muitas
conquistas) aprovar cortes nos direitos trabalhistas, plano de congelamento de
gastos sociais por 20 anos, aumento na idade da aposentadoria, redução de
direitos políticos e a lista segue.
O pacote do horror oferecido ao povo brasileiro vem em
meio à uma crise social e econômica que não parece ter fim. O Brasil vive um
dos seus piores momentos da sua história: taxa de desemprego subindo
absurdamente e dívidas nos municípios e estados, ocasionando sérios problemas
como no caso do Rio de Janeiro que apresenta um cenário de caos tanto em
relação aos descasos com pagamento de salários dos funcionários públicos, com a
saúde e com a segurança pública.
Ademais da crise econômica, há uma crise social
preocupante, uma vez que está ocorrendo o retorno de movimentos conservadores,
racistas e fascistas, que insistem em derrubar muitas conquistas sociais tanto
para negros quanto mulheres e a comunidade LGBT.
É uma triste realidade (...) corrupção e mais
corrupção, escândalos e mais escândalos, que se tornaram algo corriqueiro na
mídia nacional (grande parte desta mídia golpista) e no cotidiano dos
brasileiros. Na verdade, nada mais choca, o crime caiu na
banalidade, instituiu-se e ninguém mais acredita que a situação irá melhorar de
imediato.
O Brasil eternamente conhecido como o país do futuro
(quando acreditávamos que realmente o futuro havia chegado para nós), coloca
todas as suas esperanças nas Eleições de 2018 como único meio de “sacudir a poeira
e dar a volta por cima”.
Destacam-se nomes como o do ex-presidente Lula e do
ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, ambos do Partido dos Trabalhadores
(PT), como líderes populistas e de “esquerda”, contrários à onda reacionária e
conservadora liderada pelo deputado federal
Jair Bolsonaro (PSC), do ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), a luta
dentro do PSDB entre os nomes do Governador de São Paulo Geraldo Alckmin e do
Prefeito de São Paulo João Dória, seguidos da ex-senadora Marina Silva
Fernando Haddad
aclamado na Avenida
Paulista.
O quadro nos parece repetitivo e desolador, daí a
esperança do povo no retorno de Lula para a presidência, uma vez que a memória
do brasileiro ainda está fresca e sabe que entre 2002 a 2010, muitos direitos
foram adquiridos, a educação e a saúde melhoraram, as pessoas passaram a ter
mais conforto e tudo parecia melhor.
(…)
(Recentemente) o cenário da música, o público do Rock
in Rio rompeu com o silêncio das ruas, gritando para todo o mundo o seu
descontentamento com o governo do golpista Michel Temer que colocou o Brasil no
quadro do subdesenvolvimento e no retrocesso do cenário internacional.
Um eco
ensurdecedor contra as barbáries que rompem intencionalmente com o pacto
civilizatório obtido na Constituição de 1988, ocasionando o abandono explícito
da população, que volta a sofrer com as desastrosas decisões políticas.
Família nordestina
sofrendo com a fome e a
miséria.
A presidente legítima Dilma Rousseff adotou o lema "País rico é país sem pobreza" em
seu primeiro mandato e no fim dele havia cumprido a promessa, quando o Brasil
finalmente saiu do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas.
Dilma Roussef e Michel
Temer:
de aliados a inimigos.
Essa conquista, no entanto, foi derrotada por apenas
um ano do governo ilegítimo, que passou a excluir milhares de famílias do
Programa Bolsa Família, reduzir o valor investido no Programa de Aquisição de
Alimentos da Agricultura Familiar, que apoia os pequenos agricultores, e
desempregar mais de 7 milhões de brasileiros.
Michel Temer e seus comparsas são um tsunami,
destruindo tudo a sua volta, beneficiando somente as elites agropecuárias e
industriais e os banqueiros, isto é, a minoria da minoria do país, enquanto o
restante dos brasileiros está incrédulo diante do que está ocorrendo no país e
sofrendo as consequências das más decisões políticas. A situação é a seguinte:
Michel Temer destruiu o país e liquidou a imagem do Brasil no mundo.
E os problemas não são somente econômicos, há centenas
de episódios de ódio, de homofobia, de preconceito irracional em relação à
raça, ao gênero e à religião que, infelizmente, ganham força no país com
seguidores de Bolsonaro e o grupo de políticos que tomam decisões embasadas em
suas religiões, destoando do Estado laico, defendido na Constituição.
Movimento nazi-fascista
visto nos Estados Unidos também surge no Brasil, em Santa Catarina, em pleno
século XXI.
(…)Diante desse brevíssimo resumo do cenário desastroso
brasileiro, só podemos afirmar que as vozes de mais de 700 mil brasileiros no
Rock in Rio não podem assumir sozinhos uma luta popular, que deveria ser de
milhões de brasileiros nas ruas de todo o país. Todavia, precisamos acreditar
que depois da calmaria, vem a ressaca. E por ser brasileira, não poderia ser
diferente, e me apego na esperança de que acordemos logo ou será tarde demais
para resolver a avalanche de desgraças que estão ocorrendo no Brasil e não será
eleições que dará conta do recado.
Acorda Brasil”
S. Paulo, 27 de Setembro
Cristiane Tolomei