Incendeias as ruas e os
passos dos homens
E todos os cios. E as mulheres
(in) cautas
Murmuram esconjuros
À tua passagem.
Altiva a ti, pertences. Tua
alma
Apenas os poetas a
cativam. Breve em cada estrofe
Para esvoaçante partires:
- sina tua de amar
Em cada amor que em teu
peito nasce.
Corpo mil vezes
profanado. E outras tantas
Deserto. Cada palavra tua
é balsamo
Nunca azedume. Ou acinte.
Amizade límpida
perfuma-te as manhãs claras
E as noites inquietas - fome
de vida e febre
Que te consome.
Guardarei de ti o gesto
nobre de quem tudo entende
E nada espera. Singela
em cada letra
Que em ti arde.
Pulsão livre do poema
Que de teu corpo se
desprende.
Manuel Veiga
