terça-feira, dezembro 11, 2018

"PAS DE DEUX" ...


Fusão de corpos. Simetria alada
Em movimento.

Transgressão furtiva.
E serenidade flutuante
De gestos.

Apenas o olhar
Se molda.

Espaço eco de leveza
E murmúrio. E frémito.

Deslumbre. E comedida espera.
E chama. Engalanada.

“Pas de Deux” a derreter-se. Livre
E o céu a derramar-se.
Imaculado.


Manuel Veiga

sexta-feira, dezembro 07, 2018

MACIOS MOSTOS ...


Abre-se a paisagem ao horizonte
Em delírio de olhos desmedidos. Memórias recidivas
Como se foram ainda açucenas colhidas
E o regaço. E o joelho incauto desguarnecido.
E viesses com a leveza de águas
Em mandil de coado tempo
A desalinhar orla
Dos sentidos.

Ergo-me e declino o nome.
Caminheiro de devoções pagãs que me visitam
Tão faceiras, que nelas me reinvento
Em néscio alvoroço.

Música que irrompe no declive do corpo. E do tempo.
E nos ecos recolhidos. Toada de abismos.
Coleante percurso dos veios
E profundos rios.

Águas bravias
Cascata de enleios
E macios mostos …


Manuel Veiga

sábado, dezembro 01, 2018

UMA PÁLPEBRA DESCIDA ...


Um quase-nada, uma pálpebra descida
Uma luz inesperada. E o poeta
Se incendeia. E vibra...

E a imaculada pele
Agora é devassa do olhar
Que assim prolonga o frémito
Da pálpebra recolhida…

Empolgante a entrega nessa dádiva
E a flor do dia. E a luminosa
Lágrima…

Manuel Veiga


ADÁGIO ...

Desnudam-se as pétalas Uma a uma. E derrama-se a cor Nua. Indefinição ainda Que alastra Agora sinfónica. Cor e vida. E se ab...