sábado, janeiro 19, 2019

NADA PERDURA ...


Nada perdura. Nem o veio de águas
Tumultuosas. Nem o vagido da inocência
Nem o silvo dos ventos. Nem a agrura das montanhas
Nem a alvura dos silêncios. A rasgar
O frémito da palavra imaculada.

Nada perdura. Nem o cetim dos dias
Nem o cinzento das mágoas. Nem a efémera euforia
Das glórias. Nem o eco do que fomos
Nem a nudez dos dedos
No lombo magoado
Das desgraças.

Somos o que somos!

Alimento de nós mesmos
Turbilhão do Mundo
Que nos arrasta.

Manuel Veiga


quinta-feira, janeiro 17, 2019

RESTOLHAR DO SONHO...



Um fio de sonho
E gesto largo

Nos longos dedos
Do silêncio.

De permeio
O acre enleio

Por dentro o sarro
E o engano

Desenganado

A elidir o logro
No restolhar
Do sonho…


Manuel Veiga


terça-feira, janeiro 15, 2019

O PERFIL DOS DIAS - No Prelo...

Quando o Prodígio Acontece

Quando duas estrelas se fundem por capricho
Ou invisível Fado. E o universo é apenas tela
Ou registo do matricial fogo.

E os próprios deuses se espantam.
E invejam essa nova luz a despontar.
E toda a poalha vibra em ritmo novo.
E todas as trajectórias dançam
Alvoradas a arder em chamas.

E o grito é glorioso toque alvoroçado
E a palavra é ligeira vibração de nada
Incrustada no dorso de todos os sentidos

Então o Prodígio acontece. E desce
À mesa do poeta. E o poema é cerimónia secreta
Iniciação fremente no palato e na língua.

Fruto pagão. E bocas ávidas.


Manuel Veiga


ADÁGIO ...

Desnudam-se as pétalas Uma a uma. E derrama-se a cor Nua. Indefinição ainda Que alastra Agora sinfónica. Cor e vida. E se ab...