Nada perdura. Nem o veio
de águas
Tumultuosas. Nem o vagido da inocência
Nem o silvo dos ventos.
Nem a agrura das montanhas
Nem a alvura dos
silêncios. A rasgar
O frémito da palavra
imaculada.
Nada perdura. Nem o
cetim dos dias
Nem o cinzento das mágoas.
Nem a efémera euforia
Das glórias. Nem o eco
do que fomos
Nem a nudez dos dedos
No lombo magoado
Das desgraças.
Somos o que somos!
Alimento de nós mesmos
Turbilhão do Mundo
Que nos arrasta.
Manuel Veiga