sábado, abril 13, 2019

Que Se Soltem Os Ventos...


Em mar de sargaços
Sacudo meus presságios.
E reinvento o sentido
De meus passos.

Que meu relógio é de badalo!
E lembra apenas horas faustas
Que, outras, não quero.

Nem meu nome é coito
De insídias, nem pasto de perfídias.
Nem meu corpo é cacilheiro.
Porém, navio de corsário…

Parto. E passo!
De alto – que nada renego.
Nem dou trocado.
Nem vendo.

Que se soltem pois os ventos.
Que ventos, não temo.

Nem as Fúrias
Que os dizem!...


Manuel Veiga
13/04/2019





quinta-feira, abril 11, 2019

DIÁLOGOS À MARGEM - 1


O  Poeta-Aprendiz, o Poeta-Mestre e Figuras de Estilo

O aprendiz de poeta, na oficina do Mestre, que, penosamente, amassa um poema: - “E se lhe meter uma anáfora?...”

E o Mestre, com ares de entendido, mirando a obra, monossilábico: - “Nah!

Insistência do aprendiz, perante a hesitação do Mestre: “E um assíndeto?..."

O Mestre, em silêncio pesado, coça cabeça!...

E o poeta-aprendiz dubitativo, insiste: - “Talvez uma catacrese?!...”

Geme suor resiliente a testa do Mestre: - “Há-de sair… há-de sair…um poema para deslumbrar o Mundo”! ... E espreme-se, esforçado…

E o novel poeta, cada vez mais duvidoso: - “E umas metonímias? E que tal uma elipse? ...”

E o Mestre, lívido e desanimado: - “Ora esta! Nunca tal me tinha acontecido…”

E o jovem, de sorriso rasgado, salvador: “Porque não umas metáforas? Resultam sempre...”

E o Mestre, resignado: “Pois, sim. E como? Tinha por aí duas ou três, mas, com a Primavera, regressou uma andorinha e ela forrou o ninho com minhas gastas metáforas!...”

O poeta-aprendiz, saindo porta fora, a morder uma hipérbole:

- “Este Mestre está … gasto! Melhor lhe fora ir salvar o Mundo para o “corno de África”…


Manuel Veiga
12.04.19





terça-feira, abril 09, 2019

PASSAGEIRAS GLÓRIAS ...


Breve o desfilar dos dias em que me planto
Em palavras.

São beijos? São afagos?
São passageiras glórias a baterem como asas
Que voando se despenham...

Quem por mim as toma? Quem as agarra?
Nada quem as queira. Apenas o sussurrar
Quente da cigarra. E o vento.
E o logro em que inúteis
Se desenham...

Abrem-se os braços à colheita e voam!...
E este mar de brasas em que ardo.
E nesta fome de lonjuras em que me fito
São as palavras tudo-nada.
Barco sem remos
De meu grito...

E como tal as tenho…


Manuel Veiga





ADÁGIO ...

Desnudam-se as pétalas Uma a uma. E derrama-se a cor Nua. Indefinição ainda Que alastra Agora sinfónica. Cor e vida. E se ab...