segunda-feira, maio 20, 2013

Ainda Agora Cais...


 
Vicejam espinhos nas ruinas do tempo
E os rios medem as margens no sobressalto das árvores...

Em seu pudor - ou resguardo - a palavra lateja. Mítica.

Clandestina embora atiça o fervor que germina
Nos rostos calcinados e na amargura dos homens.
E o alvoroço ganha então asas nas veredas do sangue.
E no percurso inóspito dos passos...

As mulheres revestem-se de sibilinos gestos
E soletram a boca das crianças
Nas migalhas...

E erguem o olhar pleno como antigas ânforas
Que repletas extravasam. E minguadas se aprestam
A todas as sedes e a todas as urgências.
E que de mão em mão passam. Gloriosas...

Fecundos são os dias assim (pre)sentidos
Que amadurecem como crisálidas. E se soltam serenos
Na arribação das aves. E nos ritos da memória...

E se advinham no pulsar cálido da cidade
Ainda agora cais. A erguer promessas. E a desenhar velas.
No horizonte líquido do Tejo...

 

 

14 comentários:

C Valente disse...

muito bom
saudações amigas

O Puma disse...

Na boca das mulheres

o nosso pão
um rio que se move
para lá do azul

Rogério Pereira disse...

A palavra lateja
em cada verso
até ao "horizonte liquido do Tejo"

"Fecundos são os dias assim (pre)sentidos"

São disse...

Que se cumpra o presságio contido nas tuas belíssimas palavras!

Se quiseres lembrar Catarina com mais pormenor , espreita o "são"

Boa semana

Rosa dos Ventos disse...

São uma sibilas, as mulheres!
Belo poema!

Abraço

maceta disse...

ou, quem sabe, matar as fomes longe da mesa do lar...


abraço e

gostei mesmo

João de Castro Nunes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João de Castro Nunes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mar Arável disse...

Meu irmão
parece que estás a ser atacado
por um vírus
Esse tipo Castro
filou-te?

heretico disse...

meu irmão,

pior que virus - uma verdadeira carraça!

ainda acabo por ter que despachar para teu Dick...

abraço, meu caro.

Lídia Borges disse...


Cais, ainda agora e já "alvoroço [que] ganha asas" na certeza da viagem.
Inadiável viagem!

Um beijo

lino disse...

Andam melgas por aqui!
Abraço

© Piedade Araújo Sol disse...

forte, e com o olhar liquido do Tejo...

:)

jorge esteves disse...

'poemaste' com palavras fundas e que extravasam!
Gostei muito!
abraço.