Um dia irei inventar um rio
E
derramar pétalas na boca de todos os amantes.
E
então todas as margens serão
Registo de meus passos
E
todas as águas salivas buliçosas:
Espuma
dos dias e sinfónicos cânticos
A
ecoarem no palato
E
nas línguas…
E
serei um archote de lume
Em
cada praça. E em cada esquina
Uma
memória altiva.
E
cada lago uma fonte.
E
cada terreiro será grito
De
um pregão.
E
todos os nomes serão o mesmo nome.
E
todas as pontes a passagem
De
meu corpo.
E
serei piano na escala
De
teus dedos. E vadio fado no abismo
De
teus olhos..
Manuel Veiga