Inebriantes a oculta linguagem dos lugares
E as pequenas
coisas que iluminam
As veredas. E o
polifónico canto
Que se liberta do
regato
E o raio de sol preso
Em timbres de luz
E sombra...
A paisagem é corpo
de mulher. Derramado
E em impudicícia
exposto. Vale fendido e fermentação.
Passagem íntima de
águas subterrâneas
Em circuito de
sémen. E bálsamo.
Na íntima fusão da
água
E a pele
sedenta...
Ou talvez seja apenas
o frágil vime
Desdobrando-se na
cálida solicitude da brisa -
Mulher ainda no
fulgor doirado abelhas
E dos insectos no
remansoso
Cair da tarde...
Ou o mergulho de
crianças leves. E breves.
Em pagã floração da
vida.
Ou talvez seja a
toalha alva agora.
Por onde tomba a palavra
solta.
E se aninha - como
migalha inesperada!...
O sortilégio dos
nomes. E se imiscui sem cuidados
O perfume raro em
que nos damos…
Manuel Veiga
(Poema editado)