quarta-feira, abril 18, 2007

Outras Personagens lV - Joshua Bell...

O violinista norte-americano Joshua Bell é considerado um dos músicos mais destacados da actualidade. Quando contava catorze anos fez a sua estreia orquestral com a Orquestra de Filadéfia e Riccardo Muti, que assinalou o início do seu reconhecimento internacional.

Nascido em Bloomington (Indiana), Joshua Bell iniciou os estudos de violino aos quatro anos. Desde 1981, tem vindo a actuar com as principais orquestras mundiais, sob a direcção dos maestros mais importantes da actualidade. Além disso, Joshua Bell participa frequentemente em produções televisivas para as cadeias CNN, CBS, NBC News e CNBC, tendo sido convidado dos programas televisivos de grande audiência nos Estados Unidos.

Joshua Bell obteve um ''Artist Diploma'' na Universidade de Indiana e é Professor Convidado da Royal Academy of Music de Londres. O instrumento que executa é um Stradivarius conhecido como ''Tom Taylor'', que data de 1732.

Numa experiência inédita, Joshua Bell, tocou incógnito durante 45 minutos, numa estação de metro de Washington, de manhã, em hora de ponta, despertando pouca ou nenhuma atenção. Ninguém reparou sequer que o violinista tocava com um Stradivarius, que vale 3,5 milhões de dólares. E, no entanto, três dias antes, Joshua Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam 100 dólares.

Mas na estação de metro foi ostensivamente ignorado. Quem lhe prestou alguma atenção foram unicamente as crianças, que o queriam ouvir; porém, inevitavelmente, acorrentadas à pressa dos pais.

Foi estranho ser ignorado", disse Joshua Bell, “sex symbol” da música da clássica, que vestido de jeans, t-shirt e boné de basebol, interpretou as peças mais conhecidas de Bach e de Schubert, mas a indiferença foi quase total. A qualidade da música e do executante não impressionaram os nova-iorquinos utentes do metro.

"Foi uma sensação muito estranha ver que as pessoas me ignoravam", disse Bell, habituado ao aplauso. "Num concerto, fico irritado se alguém tosse ou se um telemóvel toca. Mas no metro as minhas expectativas diminuíram. Fiquei agradecido pelo mínimo reconhecimento, mesmo um simples olhar", acrescentou.

O sucedido motivou natural o debate, como um caso paradigmático de "pérolas a porcos"? É a beleza um facto objectivo que se pode medir ou tão-só uma opinião? Para alguns, como Mark Leitahuse, director da Galeria Nacional de Arte,"a arte tem de estar em contexto; se tirarmos uma pintura famosa de um museu e a colocarmos num restaurante, ninguém a notará"- dizem.

Para outros, porém, como o escritor John Lane, a experiência indica a "perda da capacidade de se apreciar a beleza". O escritor mantém que tal não significa que "as pessoas não tenham a capacidade de compreender a beleza, mas sim que ela deixou de ser relevante".

Palavras bem pensantes, que não podem iludir uma verdade incontornável: a civilização moderna, no paradigma da sociedade capitalista norte-americana, desumaniza a vida ...

Nota: agradeço à pessoa amiga a oportunidade do texto que me enviou

6 comentários:

M. disse...

Nada é linear. Entrelaçam-se as dúvidas com as supostas certezas...

jrd disse...

Não é por acaso que isto aconteceu num país onde os que são "porcos" não conseguem distinguir um "Tom Taylor" de uma "Two forty golf".

vida de vidro disse...

A experiência, em si, faz pensar na relatividade da apreciação da beleza. Na verdade, não sei se o mesmo não aconteceria em qualquer parte do mundo. Parece que há necessidade de disponibilidade de tempo e espaço para apreciar a beleza. Será? Ou seja, realmente, o conceito de beleza parece não ser um valor absoluto. Essa é, sem dúvida, uma estranha relatividade... e perturbante. **

bettips disse...

Muito a propósito das belezas escondidas que nem vemos com a pressa. E do barulho em que se pensa. Abç

Gi disse...

Já tive oportunidade de ler e comentarsobre o asusno num outro blogue. Dizia eu, e permita-me a repetição (já que não mudei de opinião nos últimos dias) que discordava em absoluto com Mark Leithause. Arte é arte onde quer que seja, a grande maioria de nós é que é desatenta ao que de bom e belo nos rodeia.

A arte é como um sinal de STOP , para-se , escuta-se e olha-se... mas há sempre os que desrespeitam as regras. O meu maior desejo é cnservar para sempre este meu olhar de criança que ainda habita dentro de mim. Chamem-me de ingénua para ver se eu me importo ...

o resto de um bom dia

Diafragma disse...

Também li esta história e não posso deixar de me perguntar "Que raio estava ele à espera"???
Ainda por cima sendo americano, e supostamente conhecendo a cultura do seu país, como poderia ele esperar que um americano QUE VAI PARA O SAGRADO EMPREGO, se arriscasse a chegar atrasado para marcar o ponto? E ainda por cima reconhecer um Stradivarius, que por fora é igual a todos?
Penso que de facto a música, mais que qualquer outra arte, necessita de recolhimento, tempo e predisposição para ser apreciada. Se ele tocasse numa bela Praça ao domingo seria completamente diferente, como tenho aliás assistido em inúmeras praças dessa Europa. Agora no Metro em hora de ponta...