domingo, setembro 23, 2007

Marcel Marceau...

Marcel Marceau, um dos mais famosos mímicos do mundo, faleceu este Sábado, com 84 anos. Nascido no dia 22 de Março de 1923, em Estrasburgo, França, Marceau proporcionou, durante décadas, gargalhadas e lágrimas ao(s) público(s) de todo o Mundo, através da sua arte genial.

Marcel Marceau passou a infância em Estrasburgo até aos 15 anos, quando a sua família, de origem judia, foi obrigada a deixar o seu domicílio, após entrada da França na Segunda Guerra Mundial e a ocupação nazi.

O seu pai foi preso pela Gestapo em 1944 e assassinado em Auschwitz. Marcel Marceau juntou-se à Resistência francesa em 1942, em Limogges, como elemento das “Forças Francesas Livres”, lideradas pelo General De Gaulle. Parte do seu trabalho na “Resistência” consistia em ajudar a atravessar a fronteira a jovens e crianças judias. Foi então uma das pessoas mais procuradas pela Gestapo.

Marcel Marceau confessou que manteve esse nome de empréstimo, como nome artístico, em homenagem aos homens e mulheres da ”Resistência” e “todos aqueles que foram torturados e fuzilados, para que o nosso Mundo possa ser livre e justo”.

Em 2005, aos 82 anos, Marceau fez uma tournée de despedida pela América Latina, passando por Cuba, Colômbia, Chile e Brasil. “A mímica, assim como a música, não conhece fronteiras nem nacionalidades”, - dizia. “Se a gargalhada e as lágrimas são características da humanidade, todas as culturas estão mergulhadas em nossa disciplina”.

Marcel Marceau maravilhou o público cubano com sua apresentação cheia de intensas emoções, sem proferir uma só palavra na superlotada sala do Gran Teatro de La Havana. O célebre mímico francês mostrou “o melhor de Marcel Marceau” , numa apresentação única, em 12 de Setembro, a convite da directora e fundadora do Ballet Nacional de Cuba, Alicia Alonso.

Com uma vitalidade incomum numa pessoa dessa idade, Marceau transmitiu a arte magnífica de converter “o invisível em visível”, segundo suas próprias palavras, numa selecção de pantomimas: “A criação do mundo”,O jardim público”, “As mãos”, “Os burocratas” e “O tribunal”.

As cerca de 2 mil pessoas que lotaram a sala não esperaram o fim da apresentação para manifestarem entusiasmo pela sátira “Os burocratas”. Marceau não se agastou por isso e expressou: “Foi um público extraordinário, porque entendeu como misturei a tragédia e a comédia”.

A tragédia e a comédia da vida!...

5 comentários:

Maria disse...

Quem o viu actuar não pode ficar indiferente....
Escolheu um dia bonito, hoje, para voar...

Maria P. disse...

Uma figura que não será esquecida.

Beijinhos*

un dress disse...

que no fundo, nunca se separaram...

na vida e na morte.




*

aquilária disse...

eu diria, também: a fragilidade e a poesia da vida.

Miosotis disse...

Penso que foi a sua última 'presença em público', se não me engano...

Uma lindíssima homenagem, a tua!

Sensibilizada pelo teu olhar em 'fragmentos'!
bjs

Nota - Não me admira essa do público, infelizmente :(

Já vi pessoas abandonarem a sala onde tocava 'sagradamente' Riuschi Sakamoto.... o que as 'novas civlizações' fazem :((