quarta-feira, maio 28, 2008

Em louvor de Magritte....


colhe o poeta a cor do sonho na paleta
com as nuvens sobre a esfera onírica porém presa
e na nesga rasgada sem saber se sai ou entra
o mar ao longe...

advinham-se corpos irreais em transparência
reclinados sobre colchas sem memória
como sombras pressentidas na luz imensa
que o dia clama...

talvez crianças caprichosas ou velhos faunos
desfaçam a cortina ou a subtil brisa os descubra
desnudados sem culpa ou sem remorso
bárbaros e puros...

talvez deste lado da paisagem onde beijos correm
como ondas e os dedos do poeta se deslaçam
o azul capriche no tempo breve e em suave tarde
apenas os corpos reinem...

29 comentários:

jasmimdomeuquintal disse...

vim agradecer a vista. Gostei do "Sejamos realistas -sonhemos"

Vieira Calado disse...

Muito bom, este poema.
Boa noite, amigo!

Oliver Pickwick disse...

Poesia preciosa, e precisa em legendar em versos as cores de uma paisagem surrealista. Arte, sonho e realidade em simbiose harmônica.
Um abraço!

Licínia Quitério disse...

Quando o quadro entra em nós (ou nós nele?, todo o sonho é legítimo. Talvez...

Gostei, obviamente.

mdsol disse...

palavras sem gordurinha nenhuma...
Mbom
:)

Nilson Barcelli disse...

O Magrite é um pintor que aprecio.

E o teu poema é um excelente louvor ao pintor. Gostei.

Abraço.

Justine disse...

Louvável o poema de louvor, por tão bem construído nos quatro andamentos suaves e cintilantes.

Mel de Carvalho disse...

Imagens muito belas, de um requinte táctil, sensorial e onírico sublime.

Grata pela partilha, bom fim de semana.

Abraço
Mel

luis lourenço disse...

A cor é um requinte no pintor e a tua prosa poética liberta bem essa ligação instintiva entre a arte e a vida. A faculdade de admirar na tua dávida poética é tão nobre quanto criativa.

um abraço próximo.

M. disse...

M a r a v i l h a

Voltei a ver os trabalhos de Magritte em Outubro no C.Georges Pompidou em Paris.

revivi. uma vénia pelo post ao surreal que nos entra alma dentro.

um beijo

Maria P. disse...

Que belíssimo louvor...

Beijinhos*

SILÊNCIO CULPADO disse...

Herético
Magritte é um pintor da nossa interioridade. Eu sinto mais do que vejo as suas pinturas.
O teu poema fala disso mesmo porque em Magritte há essa constatação poética da mensagem da tela.

Abraço

margarida já muito desfolhada disse...

talvez, talvez a crise não lhes toque...

casa de passe disse...

umas pessoas estão mais viradas para a pintura, outras para a escrita. eu, claro que também gosto de pintura,e gostei desta. mas, apesar de não ter grandes estudos, leio muito e gostei muito das tuas palavras.


alice, a fininha

Sophiamar disse...

René Magritte,um dos principais surrealista belgas, pintou metáforas com um realismo mágico que nos impressionou. Este poema, cujo poder encantatório das palavras nos fascina, está em sintonia perfeita com a tela escolhida.
"Colhe o poeta a cor do sonho na paleta..."e transporta-a para as quadras, as rimas, os versos que a sua mente tão habilmente compõe
" ...onde os beijos correm como ondas..."

Beijos

isabel mendes ferreira disse...

...do tempo.


bárbaro.



um pintor que mimetizou o des.tempo.




gostei.

________________da poética.


.

Carla disse...

Um louvor perfeito...aqui onde os corpos reinam
beijos de bom fim de semana

M. disse...

Muito bonito.

alice disse...

colhe o poeta as palavras serenas e azuis de um belo fim de maio :) beijinho grande, herético *

com senso disse...

De uma enorme beleza plástica.
Palavras repletas de sentido de harmonia poética.
Parabéns.

Frioleiras disse...

Bem herético,
mudaste um niquinho de estilo...

gostei,

tb.

Bj

Frioleiras disse...

Bem herético,
mudaste um niquinho de estilo...

gostei,

tb.

Bj

Graça Pires disse...

"colhe o poeta a cor do sonho na paleta" e as palavras misturam-se com a cor para que o sonho continue...
Um abraço.

Maria Laura disse...

Nas tuas palavras, a cor do sonho que faz parecer possível esse capricho de azul deste lado da paisagem. Muito belo.

um Ar de disse...

Almost the last... but no the least, que bom vir aqui e encontrar um poema, assim... ao entrar nesta "casa", com mil e uma portas abertas depois de um longa sexta-feira!...
.
[Não gosto de portas fechadas, nem de portas, em geral...]
.
Inesperada surpresa...
Só podia ser boa!
.
Quanto àquela questão, só poderia ser o carácter [se tu achas...]:)
.
Da alma, não sei se a tenho...
.
.
Mas...
[Um beijo amigo, para um amigo inesperado]

dona tela disse...

Sinceramente, acha que o meu blog é pimba?

Muitos cumprimentos.

Tinta Azul disse...

Que palavras tão bem pintadas!
:)

~pi disse...

como se vendo:

olho:

a sombra do

sangue ~

jrd disse...

Magnífico! Mexeu comigo e muito.
Vou comentar sob a forma de “post”.
Obrigado Poeta.
Um abraço