terça-feira, setembro 15, 2009

O adjunto da Sãosinha...

A Sãozinha tem um adjunto. Um rapagão ruivo. Na minha visita ao “paraíso” da Sãozinha aqui cruzamo-nos, salvo seja, na soleira da porta. O adjunto atarefado em afã de despacho com o presidente da Câmara. Eu a saborear antecipadamente a gulodice que me esperava, no desvelo da Sãozinha!...

O adjunto é bem apessoado. Do alto do seu metro e oitenta lançou-me olhar arrasador, que, se não fora a Sãosinha puxar-me, de certo me transformaria em estátua de sal. A caminho do “paraíso”, a Sãozinha explicou-me tudo...

O adjunto é uma cunha sagrada. Intocável. Do outro lado da serra quem pontifica na política é padre Sarzedello (com dois “ll”, não confundam). O Padre domina uma boa mão cheia de votos. Como poderia – digam-me! - dizer não à “empenhoca”!? Para todos os males da Sãozinha!...

O adjunto é, pois, protegido do padre. Um primo afastado, mas as parecenças são tantas, que há quem diga que o parentesco é mais chegado. Da fama não se livra o padre e o adjunto. Mas, decididamente, não passará de umas “bocas” dessa gentalha da extrema-esquerda...

Mas vamos ao que interessa, quer dizer, ao perfil do adjunto e à sua promissora carreira. Pela mão da Sãozinha, está bom de ver. Contava-me, então, a Sãosinha que, de início, deu o seu acordo. Uma licenciatura em Antropologia Social e uma boa figura, era mesmo o que ela precisava para aliviar as tensões do cargo:

- “Todo o santo dia os dois sozinhos, metidos naquele casarão, naturalmente, alguma coisa deveria acontecer!” – desabafa...

Mas os dias passaram, monocórdicos "e não se passa nada"!... Então a Sãosinha começou a olhar o adjunto com outros olhos. - “Com olhos de ver!” - sublinha, enfática.

Conta-me, então, que um dia, o adjunto no alto de uma estante, onde arrumava uns livros e manuscritos antigos, solta um grito estridente:

- "Ó doutora, venha cá. Anda um bicho a comer as páginas deste livro!”...
- “Ó homem, feche o livro já, antes que o bicho faça mais estragos cá fora!...”

Gargalhei, com gosto, com a malícia angelical da Sãozinha.

- “Que querias tu que eu lhe dissesse”? que fosse eu a matar-lhe o bicho?!...” – atirou-me, agastada, com a minha gargalhada...

A Sãosinha, que não é parva de todo, bem desconfiava!... Desde que o adjunto lhe começou a aparecer, pela manhã, com olheiras fundas e sobrancelhas depiladas. Mas agora tem a certeza.

- “Imagina tu – garantiu-me – que um destes dias se apresentou, vestindo umas calças sem braguilha... Um laço, no lugar da braguilha!”...

E, completamente, descorçoada:

- “Já viste a minha sina?!... Uma completa aberração: este burgesso usa calças de mulher!...”

De facto, isso não se faz à Sãosinha! Um adjunto sem braguilha?!... Francamente!...

Consta-me que o padre Sarzedello está muito doente. Talvez a Sãosinha ainda consiga um adjunto como deve ser!...
.......................................................

Afinal, o padre Sarzedello está vivo e fero. E, assim, naturalmente, a Sãosinha não tem forma de se desfazer de semelhante burgesso. Estou quase tentado a sugerir-lhe que o recomende à drª Ferreira Leite. Que vos parece?!...






22 comentários:

Paula Raposo disse...

Era capaz de ser boa ideia! Beijos.

São disse...

Pois que recomende!

Abraço.

Véu de Maya disse...

Risos...risos...excelente crónica...se a verdade é factual...
já rodam pra aí muitas ceninhas pro puzzle...humano, demasiadamente huamno...diria o ilustr Nietzsche muito inspirado quando fala de coisas políticas...

abraços,

Véu de Maya

Frioleiras disse...

as tuas histórias!.............

(conheci um padre de nome Serzedelo...palavra! era do Tortozendo...)

MagyMay disse...

Hummmmmmmmm....1,80m.... rapagão....ruivo... eu, não apostava, Sãosinha!!!!
... sobrancelhas depiladas...calça sem bragilha... Sãosinha, perdes-te a aposta!!!!

Beijo grande, Heretico

Isabel disse...

"fero" o humor. "adjunto-me".




abraço.



. (excelente).



imf

jrd disse...

Uma delícia!...
O laço faz-me lembrar a estória do "podes desatar o lenço" que, obviamente, não se aplica à Sãosinha e muito menos ao adjunto...

Abraço

Peter disse...

Muito possivelmente, o adjunto da Sãozinha não deveria ter a braguilha à frente, mas atrás e, por isso, a oferta sugerida não teria interesse de maior.

Alvarez disse...

Caro Herético,

As tuas "estórias" são sempre um pequeno "mimo" para o meu final de dia... "Gracias!..."

Alvarez

Alvarez disse...

Caro Herético,

As tuas "estórias" são sempre um pequeno "mimo" para o meu final de dia... "Gracias!..."

Alvarez

Alvarez disse...

Sorry... carreguei duas vezes...

Alvarez

Graça Pires disse...

Uma história deliciosa...
Um abraço.

lino disse...

A ideia é boa mas parece que a dona Mané só aceita homens e mulheres que copulem para procriar. Não parece ser o caso do adjunto de lacinho na braguilha.

mariab disse...

:))) Já tinha saudades de ler a tua prosa sempre saborosa e plena de humor. E tenho muita pena da Sãosinha... :))
Beijos

Isabel disse...

:) alto astral? ke nada...


apenas uma casa habitada por mãos conhecidas....




obrigada....muito.

vida de vidro disse...

Humor e escrita impecável. Como sempre. Bom fim de semana. **

© Piedade Araújo Sol disse...

humor, e um sorriso em mim.

excelente!

bom fim de semana!

mundo azul disse...

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Muito bom o seu texto!


Beijos de luz e um domingo feliz...


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Mel de Carvalho disse...

Belíssima a sua escrita, Herético.
Seja qual for o registo, seja qual for a mensagem.
O humor subtil de quem sabe trabalhar a palavra e que, ao caso, a usa para passar a mensagem política.

Bem recomendado, Herético. A tal Drª. F.L., quem sabe não gostaria do cargo??? rsrsr

PS: Herético, não se esqueça de votar... olhe que "eles andem ai"... danados para tomar o poder...
Em que cor??? vermelho, caríssimo...
o líder? bom...tomo a liberdade de lhe recomendar alguém que goste de jogar no clube de bairro com a "populaça", que viva numa casa dita normal, onde a roupa se estende na rua, que não tenha perdido o sentido de missão!!!
... e mais não digo! :);

Bom Domingo,
fraterno abraço
Mel

jawaa disse...

Ena, ena, acho que apimentaste aí no fim, com a Senhora.
Sabes, ainda tenho uns laivos de feminismo nas veias das minhas «origens sociais de 60», mas sempre que lobrigo no horizonte uma mulher no poder (só por ser mulher, não me mistures)... dou com os burros n'água!

mariam disse...

sorri ...

da 'São' e outras estórias ... gostei de continuar a ler aqui a 'saga' do outro lado ...
diverti-me bastante :) por vezes ia ver se havia novidades por lá! ...

um sorriso :)
mariam

Graça Sampaio disse...

De mais!!! Coitada da Sãozinha... Eu recomendá-lo-ia ao Paulinho das feiras - bem apessoado e de calcinha cor-de-rosa com lacinhos... só podia. Eheheheheheh.....