segunda-feira, setembro 14, 2015

GRITO PRESO NA GARGANTA...


O grito preso na garganta
E a criança nos braços. Morta. Como lâmina.
Marés de ódio e lama...

E o grande Espectáculo.
E a Miséria. E a Guerra. E seu mortífero Esplendor.
E a banalização da Tragédia
A escorrer da Pantalha.

E a indignada revolta. Assumida.
E o Horror até à Náusea. E o suspiro desmaiado.
E as asas do esquecimento. Breve que venha.
Pois incomoda. Tanto. A ferida que não sara ...

Do Extermínio que ora se incendeia
Não o Crime, nem Castigo que seja.
Apenas medida. Doseada. Desta Justiça fingida.
E dos falsários desta Hora. Amarga.

As vítimas são lepra. E os carrascos
Mão que embala...

Como libertar este cerco? E esta raiva?
E soltar este grito? Que de tão vivo emudece
E de tão urgente se rasga...

Manuel Veiga
POEMAS CATIVOS II - a publicar

10 comentários:

MARILENE disse...

Como não me encantar com seus versos???? Esse grito está preso na garganta de muitos. E a realidade nos faz pensar que não haverá fim para essa dor. Abraço.

O Puma disse...

... e assim pelos vistos da tabanca não sairemos
Abraço amigo

Ana Tapadas disse...

Belo e no fio de prumo!

Beijo meu

Agostinho disse...

Perfeitamente essa mente e coração, Poeta.
Pois que gritemos então!

© Piedade Araújo Sol disse...

forte e intenso.
necessário e actual (as palavras)
beijo

:)

Graça Pires disse...

"Como libertar este cerco? E esta raiva?
E soltar este grito? Que de tão vivo emudece
E de tão urgente se rasga..."
Junto a minha voz à tua meu querido amigo, nesta hora em que as malhas da revolta nos envolvem.
Excelente, o poema.
Um beijo.

Graça Sampaio disse...

Um grito preso nas gargantas de todos nós, querido herético!!

Sempre muito bom!

Beijos

Suzete Brainer disse...

Muito emocionada, te digo:
Este teu grito preso na garganta, poeta?
De aparência muda, cresceu na função de porta-voz
da indignação sobre o flagelo humano que são os carrascos
com a perversidade exercida e a desumanização na carne
crua da opressão e os podres poderes da desigualdade.
"As vítimas são lepra. E os carrascos
Mão que embala..."
"E de tão urgente se rasga" a sensibilidade à flor da pele
em relação a um mundo que nos apavora...
A estranha (paralisante) frieza do homem que
desconhece a sua raça humana...
Muito grata com este teu magistral (único) poema,
o meu grito deixou de ser mudo e grita alto!
Beijo grato.

Mar Arável disse...

Grita camarada grita

eu bem de oiço na minha escarpa
Abraço amigo

luisa disse...

Por vezes o horror chega a emudecer o grito.